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Ibovespa sobe para marca histórica de 197 mil pontos com apetite de investidor estrangeiro

Estadão

Após abrir estável em 195.129,875 pontos, o Ibovespa logo registrou na manhã desta sexta-feira, 10, uma série de máximas históricas até alcançar os inéditos 197 mil pontos, apesar da alta moderada das bolsas de Nova York. A visão é de que mesmo com a inflação elevada, o Comitê de Política Monetária (Copom) pode continuar cortando a taxa Selic, mesmo que em doses de 0,25 ponto porcentual, e ainda assim o diferencial de juros com outras partes do mundo, como EUA, seguirá elevado, atrativo.

"O Real tem mostrado um bom comportamento e a Bolsa, também. Tem um pano de fundo que é o investidor estrangeiro otimista com ativos domésticos (exceto juros futuros), que tem deixado as questões internas de lado por enquanto", diz Silvio Campos Neto, economista sênior e sócio da Tendências Consultoria.

Paralelamente, o petróleo opera em leve queda, aquém dos US$ 100 o barril. Investidores esperam negociações de paz entre EUA e Irã nos próximos dias. Por ora, o quadro é de fragilidade da trégua de duas semanas acertada entre o governo americano e Irã na última terça-feira, após ataques de Israel contra o Hezbollah no Líbano.

A despeito da pressão inflacionária no Brasil e nos EUA, conforme dados divulgados hoje, em meio a efeitos da guerra no Oriente Médio, a influência dos conflitos sobre os preços pode ser pontual e há expectativas de avanço sobre acordo de paz no fim de semana, o que alivia. Negociadores de Washington e Teerã se reunirão amanhã na capital do Paquistão, Islamabad, para discutir um possível acordo de paz permanente.

Embora o quadro de inflação preocupe no Brasil, a visão é de que o Copom pode promover novo corte de 0,25 ponto porcentual na Selic em abril, segundo o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz. Da mesma forma, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) divulgado hoje nos EUA, cuja taxa acumulada em 12 meses foi a 3,3%, ante a meta de 2%, não tende a mudar a conduta do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

"Era esperado. Acho que o Fed vai olhar o cenário, interpretar o que está acontecendo, se o conflito vai dispersar... Não deve mudar sua decisão de juros só com base nesse dado de março", afirma Cruz, para quem o mercado parece já precificar os EUA totalmente fora da guerra.

No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,88% em março, resultado acima do teto das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, de alta de 0,82%, com mediana positiva de 0,77% e piso de aumento de 0,47%. A taxa acumulada em 12 meses até março foi de 4,14%, acima da mediana que indicava avanço de 4,03%.

Por enquanto, a visão é de que é algo pontual. Ainda espera-se que as negociações entre EUA e Irã e até mesmo envolvendo Israel e o Líbano avancem", afirma, completando que o diferencial de juros entre o Brasil e os EUA ainda é elevado, o que atrai fluxo estrangeiro para a B3.

Perto das 11 horas, o Ibovespa subia 1,21%, na máxima aos 197.495,29 pontos.

Já o CPI dos Estados Unidos subiu 0,9% em março ante fevereiro, em linha com o previsto. Na comparação anual, o CPI avançou 3,3%, ante alta de 3,4% das previsões. Já o núcleo do indicador avançou a 0,2%, conforme o esperado.

Diante da sequência de máximas desde o início da sessão, quando começou aos 195.129,25 pontos, a inédita e importante marca psicológica dos 200 mil pontos está se aproximando. "Falta pouco", diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

Segundo ele, apesar da pressão inflacionária no Brasil e nos EUA, conforme dados divulgados hoje, em meio a efeitos da guerra no Oriente Médio, a influência pode ser pontual e há expectativas de avanço sobre acordo de paz no fim de semana.

Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 1,52%, aos 195.129,25 pontos. Foi o segundo dia de renovação de recordes, tanto no intradia como no fechamento.

Às 11h29, o Índice subia 1,14%, aos 197.342,31 pontos, ante alta de 1,24%, na máxima aos 197.553,64 pontos. Em Dalian, na China, o minério de ferro encerrou em queda de 0,33%, a US$ 110,28 por tonelada, mas as ações ligadas à commodity subiam, com exceção de Metalúrgica Gerdau (-0,21%). Vale avançava 1,09%. Também a despeito do recuo do petróleo, Petrobrás tinha alta entre 0,56% (PN) e 0,32% (ON). O dólar à vista caía 1,02%, a R$ 5,0115, ante mínima em R$ 5,0076.

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