SÃO PAULO - Depois de um início de pregão de maior volatilidade, com os investidores preocupados com os riscos geopolíticos, os mercados financeiros ensaiam uma recuperação. O Ibovespa, principal índice de ações da B3 (ex-BM&FBovespa), passou a operar em alta, com valorização de 0,32%, aos 71.247 pontos. Já o dólar comercial tem leve alta de 0,09% ante o real, cotado a R$ 3,167.
Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora, afirmou que o Ibovespa foi para o terreno positivo após a recuperação das Bolsas americanas, que abriram em queda com as preocupações em torno da Coreia do Norte.
— O mercado americano se recuperou e a nossa Bolsa acompanhou. É um dia que os investidores estão acompanhando mais o cenário externo que o interno, que está fraco de notícias — disse.
Apesar dessa melhor, a tensão geopolítico continua concentrando as atenções. O governo japonês afirmou que acompanhou o míssil, que caiu no Pacífico, desde o seu lançamento, que foi considerado uma afronta ao país. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que "todas as opções estão na mesa" quanto a uma resposta do país esse lançamento. Sem saber as consequências desse ato, os investidores buscam proteção. O ouro avança 0,25%, a US$ 1313,44. Já o “dollar index”, que mede o comportamento da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, recua 0,09%, perdendo força em relação às moedas fortes.
Nos Estados Unidos, o Dow Jones tem leve alta de 0,11% e o Nasdaq sobe 0,20%. Já na Europa, o opregão foi de perdas. O DAX, de Frankfurt, registrou desvalorização de 1,46% e o CAC, da Bolsa de Paris, caiu 0,94%. O FTSE 100, de Londres, teve variação negativa de 0,87%.
“A atitude do regime norte coreano reavivou temores que ocorra um eventual conflito na península coreana. Com isso, investidores fogem de ativos mais arriscados e partem para ativos mais seguros como o iene, o ouro e os treasuries”, avaliou, em relatório a clientes, Guilherme França Esquelbek, analista da Correparti Corretora de Câmbio.
Internamente, os investidores também repercutem o cenário de incerteza política, com os riscos de uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer.
As ações preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras caem 0,57%, cotadas a R$ 13,79. Já os ordinários (ONs, com direito a voto) caem 0,76%, a R$ 14,29. Os papéis caem mais do que o petróleo no mercado externo. O barril do tipo Brent recua 0,29%, cotados a US$ 51,74. Os papéis da Eletrobras também operam com queda, depois dos fortes ganhos dos últimos pregões devido ao anúncio de venda das ações. As preferenciais caem 1,22% e as ordinárias, 1,95%.
No entanto, a recuperação da Vale, dos bancos e o bom desempenho da Embraer fizeram o Ibovespa reverter a queda e operar com ganhos, voltando aos 71 mil pontos. No caso da Vale, a alta é de 0,28% nas PNs e 0,49% nas ONs. Já as preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco sobem, 0,56% e 1,04%. No caso do Banco do Brasil, o papel recua 0,63%.
A maior alta entre os papéis do índice, no entanto, é da Embraer, com valorização de 3,40%. Há uma expectativa de novos negócios em relação à visita de Temer à China. Além disso, a Nigéria já anunciou que tem interesse nos supertucanos da fabricante brasileira.
Os analistas da Coinvalores lembram que a pauta de votações no Congresso Nacional também está no radar. Está prevista para essa tarde, na Câmara dos Deputados, a conclusão da medida provisória 777, que cria a taxa de longo prazo (TLP). Os deputados precisam votar três destaques, entre eles o que questiona que o Tesouro negocie, com base na TLP, repasses ao BNDES. Já a comissão mista de orçamento pode votar a mudança das metas de fiscais de 2017 e 2018. “O governo tem interesse na aprovação rápida dessas mudanças para que o projeto de lei orçamentária (PLO) de 2018 seja encaminhado com base na meta de um déficit primário de R$ 159 bilhões. A aprovação desses dois temas ainda hoje pode garantir um maior otimismo dos investidores”, avaliaram, em relatório em clientes.

