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Ibovespa fecha semana com maior série de perdas diárias desde 2023

Reuters

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 14 Ago (Reuters) - O Ibovespa reduziu as perdas no fim do pregão, mas ainda fechou em queda nesta sexta-feira, a nona seguida, em meio à saída de estrangeiros da bolsa paulista, com o último pregão da semana também marcado por vencimento de opções sobre ações e repercussão de balanços.

O movimento recente mais negativo tem como pano de fundo preocupações com o efeito do nível elevado de juros na atividade econômica e a perspectiva fiscal do país, além de incertezas eleitorais e geopolíticas.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,1%, a 166.934,20 pontos, acumulando uma perda de 3,23% na semana. Na mínima do dia, chegou a 164.835,38 pontos. Na máxima, a 167.099,46 pontos. 

Com tal desempenho, o Ibovespa completou a maior série de perdas desde as 13 quedas seguidas de 1º a 17 de agosto de 2023. Na atual sequência de nove baixas, acumulou um declínio de 6,22%, que reduziu ainda mais a alta no ano, agora para 3,61%

O volume financeiro nesta sexta-feira somou R$30,08 bilhões.

O movimento dos estrangeiros tem sido determinante para o ajuste negativo. Após saldo positivo em julho, dados da B3 mostram uma saída líquida de R$13,56 bilhões em capital externo da bolsa em agosto até o dia 12. 

De acordo com o especialista em mercado de capitais Josias Bento, sócio da GT Capital, o estrangeiro segue tirando dinheiro da bolsa e voltando para mercados mais maduros como EUA, com alocações mais voltadas para tecnologia e inteligência artificial.

Ele ressaltou, contudo, que a eleição presidencial no país também está no radar, trazendo muita volatilidade para o Ibovespa, "além do fiscal, que segue indefinido e sem um plano de contingência para os próximos anos".

"Tudo isso está fazendo o Ibovespa entregar praticamente toda a alta de 2026", acrescentou, lembrando que o Ibovespa chegou a se aproximar dos 200 mil pontos mais cedo no ano. Em meados de abril, superou 199 mil pontos pela primeira vez no intradia.

No exterior, o S&P 500 fechou com um declínio de 0,17%, um dia após renovar recorde, enquanto o barril do petróleo sob o contrato Brent encerrou com elevação de 1,67%, a US$88,52.  

    DESTAQUES

• BRASKEM PNA fechou em queda de 7,68%, revertendo os ganhos do começo do pregão, um dia após a petroquímica reportar um lucro líquido de R$3,33 bilhões no segundo trimestre de 2026, revertendo prejuízo de R$267 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. Na teleconferência com analistas nesta sexta-feira, executivos da companhia afirmaram que os próximos anos serão de ambiente desafiador e destacaram que a prioridade é avançar em estrutura de capital sustentável. Também afirmaram que a negociação com bancos e detentores de dívida está "avançando bem" com conversas "construtivas".

• YDUQS ON recuou 5,18%, após o grupo de educação reportar lucro líquido ajustado de R$14 milhões no segundo trimestre, queda de 54,2% e abaixo do esperado por analistas. Na teleconferência sobre o resultado, o CEO afirmou ver trajetória positiva após a Copa do Mundo e citou perspectiva positiva para 2027. De acordo com analistas do Citi, a mensagem da administração foi bastante otimista em relação às perspectivas para os próximos meses. "No entanto, os resultados recentes foram fracos e o cenário econômico continua desafiador. Por isso, é compreensível que os investidores ainda estejam cautelosos, o que provavelmente explica a queda das ações observada hoje", afirmaram em relatório a clientes.

• CPFL ENERGIA ON cedeu 4,49%, tendo também no radar o balanço, que mostrou lucro líquido de R$1,44 bilhão no segundo trimestre, 21,3% maior do que o apurado um ano atrás, com o crescimento do mercado da distribuição de energia apoiado pela demanda residencial e de data centers.

• LOJAS RENNER ON perdeu 2,61%, tendo como pano de fundo relatório do UBS BB cortando a recomendação dos papéis da varejista para neutra, bem como o preço-alvo de R$18 para R$13,50. De acordo com os analistas do banco, embora a Lojas Renner tenha uma posição financeira sólida, com bastante dinheiro em caixa e recompense seus acionistas por meio de dividendos e recompra de ações, "ainda não há sinais convincentes de que a empresa conseguirá ganhar participação de mercado de forma mais acelerada e continuar tendo um desempenho superior ao restante do setor".

• MINERVA ON avançou 5,26%, em pregão de ajustes, após queda de 7,6% na véspera, em meio à repercussão do balanço do segundo trimestre. Divulgado na noite de quarta-feira, o balanço da maior exportadora de carne bovina da América do Sul mostrou lucro líquido de R$197 milhões, queda de 57% em relação ao mesmo período do ano anterior. Analistas da XP avaliaram que a Minerva entregou um trimestre sólido, mas destacaram que a visibilidade para segundo semestre segue limitada e nível de endividamento "dificilmente" deve reduzir as preocupações no curto prazo.

• HAPVIDA ON subiu 4,99%, também buscando uma recuperação, após o tombo de 33% no pregão anterior. Na quarta-feira, a companhia divulgou um recuo de 95,8% no lucro do segundo trimestre ano a ano, enquanto o Ebitda ajustado somou R$504,4 milhões, queda de 44,3%. Analistas do Itaú BBA destacaram que a frustração no Ebitda e a reaceleração dos novos depósitos judiciais aumentam significativamente a dificuldade de avaliar um nível normalizado de rentabilidade daqui para frente.

• EMBRAER ON avançou 2,43%, mantendo a trajetória positiva em agosto, quando fabricante de aviões já soma uma alta de quase 14%. A companhia informou na noite de quinta-feira que o seu conselho de administração declarou o pagamento de juros sobre o capital próprio referentes ao terceiro trimestre no montante total de R$154 milhões. Ainda no radar, analistas do JPMorgan elevaram o preço-alvo dos papéis para R$135 ante R$98 e reiteraram recomendação "overweight", destacando que ainda veem as ações em níveis atrativos.

• PETROBRAS PN valorizou-se 0,45%, endossada pela alta dos preços do petróleo no mercado internacional.

• VALE ON perdeu 0,83%, em linha com outras mineradoras no exterior. Na China, contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou o pregão diurno com alta de 0,42%, a 710,5 iuanes (US$105,36) por tonelada, reduzindo sua perda semanal para 0,77%.

• ITAÚ UNIBANCO PN subiu 1,8%, revertendo as perdas de parte do pregão e encerrando uma série de seis pregões com fechamento negativo. No setor, BTG PACTUAL UNIT avançou 1,51%, BANCO DO BRASIL ON fechou em alta de 0,93% e SANTANDER BRASIL UNIT valorizou-se 0,34%. BRADESCO PN caiu 0,72%. NUBANK, que é listada nos EUA, saltou 9,33%, após registrar lucro líquido trimestral acima de US$1 bilhão pela primeira vez, superando as estimativas de analistas. A receita total cresceu 39%. O custo do crédito, que pesou sobre as ações no trimestre passado após subir a US$1,79 bilhão, recuou para US$1,69 bilhão, ainda que com alta de 60% na comparação anual.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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