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Ibovespa fecha em queda e acumula perdas de 3,7% na semana

SÃO PAULO - Em um pregão marcado pela forte volatilidade, ainda na esteira da turbulência que atinge os mercados globais desde o início da semana, o Ibovespa conseguiu reduzir as perdas no final dos negócios e fechou em queda de 0,78%, aos 80.898 pontos - mas na minima chegou a cair 2,26%. Na semana, o tombo chega a 3,7%. Já o dólar comercial fechou em alta de 0,67% ante o real, cotado a R$ 3,3032. É a maior cotação desde o final de dezembro (em 28 de dezembro, a divisa fechou a R$ 3,315). Na semana, a moeda americana acumula uma alta de 2,74%.

Essa é a pior semana para o Ibovespa desde maio do ano passado, quando ocorreu a delação premiada dos executivos da JBS (recuo de 8,2% na semana). O pregão foi marcado por diversas inversões na trajetória do principal índice de ações do mercado local. No melhor momento, a alta chegou a 0,45%, ou 81.897 pontos. No pior momento, a queda era de 2,26%, aos 79.690 pontos. Por trás desse movimento esteve as mudanças de humores no exterior, mais especificamente nos Estados Unidos, e um movimento de proteção por parte do investidor às vésperas do feriado prolongado

Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos, lembrou que a forte volatilidade dos últimos dias faz com que os investidores evitem assumir novas posições às vésperas do feriado de Carnaval. Os negócios por aqui serão retomados apenas na quarta-feira, a partir das 13h.

— O Ibovespa se ajusta às perdas de ontem de Nova York, já que quando a situação se agravou por lá a Bolsa aqui já estava fechada. Os investidores adotam uma postura de cautela por conta do Carnaval. É um feriado longo e, considerando a volatilidade dos últimos dias, ninguém quer estar posicionado neste momento — avaliou .

Essa pode ser a pior semana para os mercados globais desde a crise financeira de 2008, após as quedas expressivas registradas na segunda e quinta-feira. O Dow Jones sobe 1,80% e o S&P 500, de 1,25%. No entanto, até o final tarde, tinha queda de quase 2%. O que contribuiu para a mudança de terreno foi a aprovação do orçamento americano, dando fim ao “shutdown” (o que podia levar a paralisação de mais serviços públicos).

Já o VIX, índice que mede a volatilidade nos mercados financeiros chegou a ultrapassar os 35 pontos. Também conhecido como “índice do medo”, ele estava entre dez e quinze pontos no mês passado - quanto menor, menor a volatilidade.

As Bolsa da Europa não se beneficiaram da melhora dos mercados americanos devido a diferença de horários de negociação. O DAX, de Frankfurt, caiu 1,25%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, recua 1,40%. Já o FTSE 100, de Londres, teve queda de 1,09%. Já na Ásia, o índice Nikkei, de Tóquio, caiu 2,32% e o Hang Seng caiu 3,10%.

Na avaliação de Ari Santos gerente de renda variável da H.Commcor, essa turbulência nas bolsas americanas ocorreu em um momento de retomada da confiança no Brasil, com uma maior expectativa em relação ao crescimento da economia. Por conta dessa frustração, ele acredita ser natural esse movimento de proteção.

— Estávamos em um momento de euforia, com a expectativa de crescimento da economia, o ex-presidente Lula praticamente fora das eleições e o aumento do preço das commodities. Essa volatilidade pegou a gente de surpresa e acabou frustrando — avaliou.

A turbulência dos mercados globais tem como pano de fundo o temor de uma alta mais forte dos juros nas principais economias, em especial a americana. No início do ano, a expectativa era de que o Federal Reserve (Fed, o bc americano) elevasse as taxas por três vezes ao longo do ano. Agora, aumenta a aposta de que serão quatro altas de 0,25 ponto percentual. Atualmente, o juro na maior economia do mundo vai de 1,25% a 1,50% ao ano. Isso faz com que os gestores em todo o mundo revejam suas estratégias, vendendo ativos de riscos (como ações e moedas) e indo para investimentos mais seguros, como os títulos do Tesouro americano. As “treasuries” de dez anos estão pagando 2,85% ao ano.

As ações mais negociadas do Ibovespa operaram em queda em meio a esse cenário. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras caíram 1,46%, cotadas a R$ 18,77, e as ordinárias (ONs, com direito a voto) recuaram 1,27%, a R$ 20,09 - o petróleo tinha queda de 3,49% próximo ao horário de encerramento dos negócio no Brasil, a US$ 62,55 o barril do tipo Brent. No caso da Vale, o papel ganhou força no final do pregão e subiu 0,98%.

A Lojas Renner foi a ação que lidera as perdas. O recuo registado chegou a 4,62%. A varejista divulgou os resultados do quarto trimestre, que mostrou um crescimento das vendas abaixo do esperado, frustrando os investidores.

O dólar chega ao final da semana em seu maior patamar desde o último pregão de dezembro, quando fechou a R$ 3,315. Já a queda acumulada no ano caiu para apenas 0,36%.

A moeda americana operou sob forte volatilidade durante todo o pregão, seguindo o comportamento da divisa no exterior. O "dollar index", que mede o comportamento do dólar frente a uma cesta de dez moedas, operava em alta de 0,22% próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil.

— O dólar chegou a R$ 3,31 em um movimento diante do feriado de carnaval, enquanto os mercados internacionais estarão abertos normalmente no começo da próxima semana — disse Jefferson Luiz Rugik, analista da Correparti Corretora de Câmbio.

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