Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 10 Mar (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta de mais de 1% nesta terça-feira, endossado pela trégua global na aversão a risco, com a percepção de que o conflito no Oriente Médio terá duração menor do que a esperada derrubando os preços do petróleo.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,4%, a 183.447 pontos, após marcar 180.692,83 na mínima e 185.323,62 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$31,3 bilhões.
A bolsa paulista deu continuidade nesta sessão ao movimento mais positivo iniciado na véspera, que foi fomentado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a guerra contra o Irã pode terminar em breve.
Nem a afirmação da Guarda Revolucionária do Irã de que decidirá sobre fim da guerra e a ameaça de que irá interromper exportações regionais de petróleo se ataques continuarem evitaram a forte correção nos preços da commodity.
O barril sob o contrato Brent, que chegou a superar US$119 brevemente na segunda-feira, fechou a terça-feira a US$87,80, em queda de 11%.
A disparada das cotações da commodity desde os primeiros ataques dos EUA e Israel contra o Irã em 28 de dezembro vinha adicionando preocupações sobre a inflação e seus reflexos nas políticas monetárias no mundo, em particular nos EUA.
No exterior, o norte-americano S&P 500 perdeu força no final e fechou em baixa de 0,21%.
De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, a fala de Trump de que a guerra está próxima do fim amenizou temores sobre a duração do conflito, derrubando os preços do petróleo e reverberando em outros mercados.
"O mercado interpretou tal feito como um bom sinal, o que ajudou a reduzir a volatilidade", afirmou, citando ainda notícia envolvendo o Estreito de Ormuz.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse nesta terça-feira que a Marinha norte-americana escoltou com sucesso um petroleiro pelo Estreito de Ormuz "para garantir que o petróleo continue fluindo para os mercados globais".
Queiroz ressaltou, porém, que investidores continuam acompanhando os desdobramentos da situação no Oriente Médio e analisando as possibilidades de fato sobre o fim do conflito.
DESTAQUES
- VALE ON subiu 1,64%, tendo como pano de fundo fechamento positivo dos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian subiu 0,26%. Analistas também citaram encontro com o presidente da mineradora, destacando que o executivo disse ver bastante espaço para que as ações continuem experimentando um "re-rating", com a entrega consistente de resultados da companhia.
- BRADESCO PN fechou em alta de 2,46%, melhor desempenho entre os bancos do Ibovespa, com BTG PACTUAL UNIT subindo 2,15%, SANTANDER BRASIL UNIT apurando elevação de 2,02%, BANCO DO BRASIL ON terminando com acréscimo de 1,78% e ITAÚ UNIBANCO PN avançando 1,48%. Ainda no setor financeiro, B3 valorizou-se 4,56%.
- PETROBRAS PN recuou 0,53%, enfraquecida pelo movimento do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent fechou com um declínio de 11%. No setor, PRIO ON caiu 1,34% e BRAVA ON cedeu 0,05%, enquanto PETRORECONCAVO ON subiu 0,23%.
- GPA ON fechou em baixa de 2,93%, distante da mínima do dia, quando chegou a desabar quase 9%. O grupo anunciou nesta terça-feira que firmou acordo com seus principais credores para apresentação de um plano de recuperação extrajudicial envolvendo dívidas de aproximadamente R$4,5 bilhões.
- COSAN ON subiu 6,45%, após divulgar prejuízo de R$5,8 bilhões no quarto trimestre, afetado por efeitos envolvendo a investida Raízen. Mas o resultado negativo veio menor do que a perda de um ano antes. O presidente-executivo disse que as estratégias para reduzir a dívida incluem vendas de ativos, mas não a qualquer preço.
- RUMO ON avançou 6,96%, tendo no radar declarações do presidente da Cosan, holding que detém participação de mais de 20% na empresa de logística ferroviária, de que poderia considerar venda de alguma participação na companhia, mas isso depende do momento adequado e da estrutura do negócio.
- RAÍZEN PN recuou 5,45%, mesmo após o presidente da Cosan, que divide o controle da produtora de açúcar e etanol com a Shell, afirmar que espera ver nos próximos dias desdobramentos sobre um plano de saída adequada para as finanças da investida.
- AZZAS 2154 ON valorizou-se 6,42% antes da publicação do balanço de quarto trimestre do grupo na quarta-feira, após o fechamento do mercado. Na véspera, o papel já havia subido mais de 5%.
- DIRECIONAL ON caiu 3,84%. Na noite da véspera, a empresa divulgou resultado do quarto trimestre, com lucro líquido ajustado de R$211,4 milhões, alta de 27,7% na comparação anual, mas um pouco abaixo da média das projeções compiladas pela LSEG, que apontavam lucro de R$220 milhões. Nesta terça-feira, executivos da construtora disseram que esperam bons resultados neste ano diante de esperadas mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)

