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Ibovespa fecha com alta marginal sustentada por Vale após BC

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 11 Dez (Reuters) - O Ibovespa fechou praticamente estável nesta quinta-feira, assegurada pelo avanço da Vale, em meio ao forte recuo da Petrobras, um dia após o Banco Central manter a Selic em 15% ao ano, sem sinalizar o início de um ciclo de cortes de juros aguardado por investidores para 2026.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu apenas 0,07%, a 159.189,10 pontos, tendo chegado a 159.850,00 na máxima e 158.097,88 na mínima do dia. O volume financeiro somou R$22,5 bilhões.

Ao manter a Selic em uma máxima em quase 20 anos na véspera, o BC reforçou que a manutenção desse nível por período bastante prolongado é a estratégia adequada para levar a inflação à meta, em um comunicado com poucas alterações, que incluíram projeções melhores para a inflação à frente.

Para 2025, o BC mudou sua previsão para a inflação para 4,4% ante 4,6% em novembro, considerando o cenário de referência. Para o fechamento de 2026, a projeção caiu de 3,6% para 3,5%. Em relação ao segundo trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, passou de 3,3% para 3,2%.

Economistas do Itaú Unibanco reiteraram a previsão de um ciclo de afrouxamento de 2,25 pontos percentuais para 2026, com um primeiro corte em janeiro e a Selic encerrando o ano em 12,75%. Mas afirmaram que o comunicado foi mais duro do que esperavam e estabelece uma barra alta para um corte em janeiro.

"Saberemos mais sobre a estratégia do Copom com a divulgação da ata na terça-feira, quando poderemos revisitar nossa projeção de curto prazo", afirmou a equipe chefiada pelo ex-diretor do BC, Mario Mesquita, em relatório a clientes.

Na curva futura de juros, a taxa do DI para janeiro de 2027 encerrou perto da estabilidade, com os investidores pouco alterando as apostas para a Selic em janeiro do próximo ano, mas as taxas dos vencimentos longos cederam em paralelo ao recuo dos rendimentos dos Treasuries, favorecendo alguns papéis na bolsa.

O analista de investimentos Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, também não descarta fluxo de estrangeiros para o mercado acionário brasileiro, uma vez que o dólar também fechou em queda ante o real. Em dezembro até o dia 8, o saldo de capital externo na bolsa paulista está negativo em R$1 bilhão.

Em Wall Street, S&P 500 e Dow Jones registraram recordes de fechamento na esteira de um tom considerado menos "hawkish" do Federal Reserve na véspera, enquanto o Nasdaq recuou com previsões da Oracle deixando investidores cautelosos com as apostas em inteligência artificial.

DESTAQUES

- VALE ON subiu 1,32%, ignorando o declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou a sessão do dia com queda de 1,3%.

- PETROBRAS PN fechou negociada em baixa de 2,13%, na esteira do declínio dos preços do petróleo no exterior, com o barril sob o contrato Brent fechando em queda de 1,49%. PETROBRAS ON perdeu 2,03%.

- BTG PACTUAL UNIT avançou 2,53%, melhor desempenho entre os bancos do Ibovespa. BRADESCO PN subiu 1,15% e SANTANDER BRASIL UNIT ganhou 0,41%, mas BANCO DO BRASIL ON cedeu 0,14% e ITAÚ UNIBANCO PN encerrou com decréscimo de 0,08%.

- HAPVIDA ON avançou 3,41%, em dia de recuperação, após renovar mínima histórica de fechamento na véspera, a R$13,48. O papel vem sofrendo desde a divulgação do balanço do terceiro trimestre, acumulando no período até a quarta-feira um tombo de 58,8%.

- SUZANO ON cedeu 4,26%, em pregão com evento da produtora de papel e celulose com investidores, além de divulgação de previsões, incluindo menor endividamento. Também no radar estiveram anúncios sobre pagamento de dividendos e aumento de capital. KLABIN UNIT caiu 2,44%.

- USIMINAS PNA perdeu 2,76%, tendo também no radar evento do grupo siderúrgico com investidores, no qual o diretor financeiro afirmou que as negociações com montadoras de veículos que têm contratos que devem ser renovados em janeiro do próximo ano caminham para uma estabilidade de preços no aço.

- EMBRAER ON recuou 2,55%, em pregão de ajustes, após renovar máxima intradia na véspera, quando foi negociada acima de R$90 pela primeira vez. No ano, a ação da fabricante de aviões ainda acumula uma valorização de 55%.

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