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Economia

Guedes disse que China deveria financiar Plano Marshall para atingidos por coronavírus

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou em reunião ministerial em 22 de abril que a China, país onde o surto do novo coronavírus teve início, deveria financiar um Plano Marshall para os que foram atingidos pela doença.

"Plano Marshall, por exemplo, os Estados Unidos podem fazer um Plano Marshall para nos ajudar. A China [trecho suprimido] deveria financiar um Plano Marshall para ajudar todo mundo que foi atingido", afirmou o ministro.

A declaração consta em vídeo gravado pelo Palácio do Planalto e liberado nesta sexta-feira (22).

O ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu tornar público o vídeo da reunião ministerial citada pelo ex-ministro Sergio Moro em depoimento à Polícia Federal como um indício de que o presidente Jair Bolsonaro desejava interferir na autonomia da Polícia Federal.

Ao defender que a China deveria financiar ajuda aos países atingidos, Guedes reforça a controversa afirmação feita por algumas autoridades de que o país asiático como responsável pelo surto do novo coronavírus que foi declarada pandemia em 11 de março pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Os chineses vêm sendo alvo de xenofobia em diversos pontos do mundo. Os primeiros casos do novo coronavírus foram registrados no fim de 2019 em Wuham, na China.

O governo Bolsonaro é fortemente alinhado com a política de Donald Trump, nos EUA, num momento em que o país norte-americano vive um clima de tensão com o gigante asiático, o que vem sendo classificado como uma nova "guerra fria".

Durante a mesma reunião, o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, chegou a chamar a China de país não democrático.

No último ano, o governo passou por crises diplomáticas com o país asiático depois que o ministro de Estado e um dos filhos do presidente publicaram mensagens ofensivas contra os chineses nas redes sociais.

Ainda na reunião de 22 de abril, Guedes disse que a China, principal parceiro econômico do Brasil, tem que ser "aguentada" por comprar nossos alimentos.

"A comida tá chegando. As exportações tão seguindo. A China é aquele cara que cê sabe que cê tem que aguentar, porque pro cês terem uma ideia, pra cada um dólar que o Brasil exporta pros Estados Unidos, exporta três pra China", afirmou o ministro.

Na gravação do encontro, é possível ver que Guedes é um dos ministros que mais falou durante a reunião.

Bolsonaro concedeu a palavra ao chefe da equipe econômica dizendo que ele era "o ministro mais importante nisso ai".

O presidente se referia às discussões quando a medidas governamentais de combate à pandemia do novo coronavírus.

Bolsonaro tem defendido a reabertura do comércio afirmando que pior do que o impacto do vírus é o efeito econômico da crise.

Por diversas vezes em sua fala, Guedes trata a classe política como adversária e critica os que estejam interessados em questões eleitorais.

Em resposta, Bolsonaro diz estar fora do pleito municipal inicialmente previsto para outubro desde ano, mas que deve ser adiado devido à pandemia.

Ao falar sobre arrumar as contas, Guedes diz que eram necessários três passos para destruir o que ele chama de "três torres dos inimigos": corte de gastos previdenciários, corte dos juros e congelamento dos salários do funcionalismo público.

Recentemente, o ministro da Economia sofreu uma derrota com a aprovação pelo Congresso de reajustes salariais para servidores.

Incomodado, Guedes fala que os governadores estão "querendo fazer a festa" e que alguns ministros, sem citar nomes, querem aparecer interessados em questões eleitorais.

A menção é uma indireta a seu ex-auxiliar, o ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), com quem divergiu recentemente sobre investimentos públicos como forma de saída da crise.

"São governadores querendo fazer a festa, são às vezes ministros querendo aparecer, tem de tudo", disse.

Ao falar sobre isso, Guedes diz que tem gente dizendo que a saída para a crise se dará por meio do gasto público.

Ele se refere ao plano chamado "Pró-Brasil", lançado no mês passado por Marinho e pelo chefe da Casa Civil, general Walter Braga Netto. Guedes ficou de fora do plano por se opor frontalmente à aplicação de dinheiro público em obras de infraestrutura.

Na sequência, a medida foi abandonada pelo governo. Ele diz ainda que por trás do programa havia as "digitais" de Marinho e que iniciativas como essas haviam sido tentadas por governos do PT, como os dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff.

"Se a gente quiser acabar igual a Dilma, a gente segue esse caminho", afirmou.

Em nova crítica indireta a seus colegas de Esplanada, Guedes disse que ministros não podem querer protagonismo pensando em eleições.

"Não pode ministro pra querer ter um papel preponderante esse ano destruir a candidatura do presidente, que vai ser reeleito se nós seguirmos o plano das reformas estruturantes originais. Então eu tenho que dar esse recado, nós vamos estar à disposição, nós vamos ajudar tudo, mas nós não podemos nos iludir. O caminho desenvolvimentista foi seguido, o Brasil quebrou por isso, o Brasil estagnou", afirmou.

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