RIO - A produção de conteúdo nacional é a grande força para diferenciar, no mercado brasileiro, o novo projeto de vídeo sob demanda do Grupo Globo. A ideia é ir além do conteúdo da TV Globo e da Globosat e oferecer, também, produções exclusivas para o serviço de internet. Apesar da grande aposta na cor local, o projeto deverá contar ainda, em seu catálogo, com séries estrangeiras.
A nova unidade do segmento conhecido como over the top — que é a venda de conteúdo audiovisual diretamente ao consumidor, pela internet, como a Netflix — será lançada no país depois do terceiro trimestre de 2018.
O nome ainda não foi escolhido. O foco, sim: será em entretenimento. O jornalismo pode se fazer presente por meio de documentários, por exemplo.
E já há uma segunda fase prevista, chamada de marketplace. Nessa etapa, haverá combinações de conteúdos e canais, com descontos nos preços finais. Globo Play com Premiere FC ou Globo Play com Telecine Play são alguns combos possíveis.
Com mais esse segmento, o Grupo Globo quer estar no ecossistema audiovisual inteiro, entregando conteúdo ao consumidor final. Quem nunca teve TV por assinatura é um potencial comprador do serviço, que terá forte investimento não apenas em conteúdo, mas também em tecnologia.
A inovação tecnológica é o motor de outra frente do Grupo Globo: uma área centralizada de marketing digital com todos os dados de consumidores do conteúdo produzido. Essa unidade já foi criada e vai abastecer as empresas do grupo com ferramentas e inteligência de dados. Será possível vender publicidade com mais inteligência e precisão.
Dos mais de “100 milhões de uns” — mote da campanha da TV Globo que endereça a prioridade do grupo em conhecer os clientes e ter informações de cada um —, é possível identificar boa parte pelas conexões que fazem, a chamada “jornada do consumidor”. Essas conexões serão intensificadas, aproveitando o nível de engajamento dos brasileiros com conteúdos e serviços do grupo.
Um terceiro projeto está sendo tratado pelo Grupo Globo como transformador não apenas pela tecnologia que exige, mas sobretudo pela forma como está organizado. O Projeto Esportes olha o esporte como um negócio gerido de forma unificada em várias áreas e unidades, e é considerado inspirador para as mudanças organizacionais do grupo.
Na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, está sendo criada a Fábrica de Esportes. O objetivo é produzir conteúdo que será entregue a quem precisar dele dentro do grupo. A Fábrica terá uma grande sinergia entre a TV Globo e a Globosat e poderá inclusive fornecer matéria-prima para as áreas de jornalismo.
Na Copa do Mundo da Rússia, no meio do ano que vem, a Fábrica de Esportes já estará operando. Seu diferencial será ganhar qualidade nas transmissões com um olhar novo. O olhar da chamada “gamificação”, por exemplo, que usa a dinâmica de games para criar conteúdo. Uma experiência bem-sucedida de “gamificação” no grupo é o Cartola FC, em que o usuário monta seu time e disputa com outros jogadores.

