Os produtores rurais estavam revoltados com o fato de o governo haver ignorado o projeto elaborado pela CTLOG para os portos do Pará, conforme noticiou o Estado no dia 12. No fim de agosto, eles chegaram a aprovar uma moção criticando a atitude do Executivo. Agora, porém, o clima mudou, porque a notícia que corre extraoficialmente é que o projeto da câmara será totalmente acatado. A ministra Gleisi, porém, não adiantou quais pontos serão adotados.
A principal diferença entre as duas propostas diz respeito ao terminal de Outeiro. Lá, a CTLOG havia previsto três áreas a licitar, ou seja, haveria três terminais de grãos. O projeto do governo, porém, contemplava uma só.
Mão dupla
O setor se queixava muito também de o governo não haver previsto um terminal de fertilizantes no Porto de Santarém, conforme sugerido pela câmara. A medida era considerada fundamental para reduzir custos de transporte, já que o porto é acessado pela BR-163 e os caminhões que trazem os grãos teriam a possibilidade de fazer a viagem de volta carregados de adubo.
Visões diferentes sobre a evolução da produção agrícola e da logística explicam a diferença entre o projeto do governo e o da CTLOG para Outeiro. Enquanto os produtores querem um porto de grande capacidade, com embarque de 15 milhões de toneladas ao ano, o governo planeja algo mais modesto, com 6 milhões de toneladas, levando em conta que haverá também novos terminais portuários privados na região.
Risco
Entre os técnicos, a avaliação é que há risco de ociosidade em Outeiro e isso representa custos. A interpretação é que a licitação de três terminais em vez de um interessa a um grupo de empresas que quer, no momento, apenas assegurar a presença no porto. O agronegócio, por sua vez, argumenta que a melhora na logística aumentará fortemente a demanda pelos portos do chamado Arco Norte. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .



