BRASÍLIA — O governo central — que reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central — registrou déficit primário de R$ 124,4 bilhões no fechamento de 2017. Esse valor é o segundo pior da série histórica. Em 2016, as contas do governo central ficaram negativas em R$ 161,3 bilhões. A meta de déficit primário do governo central para o fechamento do ano passado era de R$ 159 bilhões. Ou seja, o rombo das contas públicas ficou R$ 34,6 bilhões abaixo do esperado.
— Podemos atestar o cumprimento da meta, podemos afirmar isso. Já que o resultado acima da linha da meta foi de 34,6 bilhões — disse a secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi.
A secretária ressaltou que esse foi o quarto ano seguido de déficits do governo central.
O governo conseguiu melhorar o desempenho das contas públicas em 2017 graças a um crescimento real (já descontada a inflação) de 2,5% nas receitas e a uma queda de 1% nas despesas. Segundo o Tesouro Nacional, a arrecadação líquida terminou o ano em R$ 1,154 trilhão, enquanto a despesa ficou em R$ 1,279 trilhão.
De acordo com relatório divulgado pelo Tesouro, a arrecadação ficou R$ 4,6 bilhões acima do esperado no último relatório bimestre de avaliação fiscal. Já as despesas ficaram R$ 30 bilhões abaixo da expectativa.
Segundo a equipe econômica, a rigidez orçamentária contribuiu para a contenção dos gastos em 2017. Com um crescimento persistente das despesas obrigatórias, especialmente com folha e Previdência, os investimentos acabaram sendo penalizados.
O total investido pela União no ano passado somou R$ 46,2 bilhões, ou 0,69% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse valor representa um patamar inferior ao observado em 2006. “Os dados ilustram a importância de uma ampla revisão das despesas obrigatórias e da rigidez orçamentária, que comprimem o investimento”, destaca o relatório do Tesouro.




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