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Governo pensa em métodos para responder às taxações internacionais, Shein perde espaço para a concorrência e o que importa no mercado

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na surdina, o governo pensa em métodos para responder às taxações internacionais com agilidade, Shein perde espaço para a concorrência e teme pelo IPO e outros destaques do mercado nesta segunda-feira (24).

**CHUMBO TROCADO NÃO DÓI**

Até o momento, o Brasil não respondeu com muita veemência às imposições de taxas ao comércio internacional de Donald Trump. A estratégia escolhida pelo governo tem sido alertar para os possíveis prejuízos da política e aguardar ameaças mais direcionadas.

Ao que tudo indica, isso está para mudar. O país quer ter um instrumento legal que permita responder rapidamente a medidas que considere protecionistas e contra o comércio global.

MAIS DO QUE PARECE

É claro que Trump e suas tarifas têm um papel relevante em trazer o assunto à tona, mas não é só dele que o governo brasileiro sente que precisa se proteger.

O debate surgiu primeiro com a lei antidesmatamento da União Europeia: ela prevê restrições à importação de produtos que não cumpram regras definidas para restringir o desmatamento em áreas como a amazônia e o pantanal.

Alguns enxergam a medida como protecionista: usando a causa ambiental como pano de fundo para barrar a importação de produtos que são vendidos a um preço menor pelo Brasil e favorecer comerciantes europeus.

OPÇÕES

No momento, o governo não fazer alarde dos planos. Ele tem algumas opções para revidar.

1 - Um projeto de lei em tramitação no Senado de autoria do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA).

Apelidado de “PL da Reciprocidade”, ele prevê tornar obrigatório que países e blocos econômicos cumpram padrões ambientais compatíveis aos adotados no Brasil para a venda de bens e produtos no mercado doméstico.

2 - Uma MP (medida provisória) que, além de dar condições de reação e de ações de reciprocidade, permite que o país tenha espaço para negociação ao longo do processo.

Membros do governo atuam para que a relatora, senadora Tereza Cristina (PP-MS), não condicione, em seu parecer, o uso do instrumento a ações ligadas ao meio ambiente –eles querem um mecanismo que possa ser acionado para defletir qualquer ameaça.

Fiquemos ligados.

**SHEIN TREME NA BASE**

A concorrência está ficando mais acirrada entre as lojas que vendem a preços mais baixos. A Shein, que saiu da China e conquistou o mundo, está perdendo espaço para sites como o Temu.

A briga pode estragar planos antigos e importantes da primeira, como a abertura de seu capital na bolsa de valores de Londres, aguardada como uma das maiores da década.

O PORQUINHO EMAGRECEU

Os ganhos da Shein caíram mais de um terço no ano passado.

- 40% é a queda do lucro líquido da varejista em 2024, para US$ 1 bilhão (R$ 5,73 bilhões)

- 19% foi o aumento das vendas no mesmo ano, para US$ 38 bilhões (R$ 217,7 bilhões);

Mas…as projeções para o ano eram bem maiores.

Pretendiam lucrar US$ 4,8 bilhões (R$ 27 bilhões) e vender US$ 45 bilhões (R$ 257 bilhões).

Os números foram colhidos pelo jornal britânico Financial Times de projeções internas da empresa, ainda não finalizadas.

Como (ainda) não é uma companhia de capital aberto, ela não tem a obrigação de publicar informações financeiras tão completas quanto outras do setor.

QUESTÃO DE IMAGEM

A situação é preocupante, mas não é como a Shein estivesse à beira da falência –ela vai muito bem, obrigada.

O problema é que, perdendo a competição para outros sites muito parecidos, ela fica menos atraente para investidores. É um péssimo momento para isso, já que a companhia pretende fazer seu IPO em Londres.

IPO (se diz “ai-pi-ô”, no mundo dos negócios) é uma sigla para “Initial Public Offering”. É a primeira oferta que uma empresa faz de suas ações em uma bolsa de valores. Dali em diante, os papéis ofertados nesse momento são comprados e vendidos por investidores.

MUDANÇA DE PLANOS

A ideia era que o lançamento acontecesse em abril, mas deve ser adiado para o segundo semestre.

A empresa teme que o IPO seja um fracasso: as ações podem ser negociadas a um preço abaixo do desejado e dar uma visão ruim para o mercado.

MAIS PROBLEMAS

Donald Trump pretende apertar uma regra que isenta de tarifas importações da varejista para os EUA.

Tanto a Shein quanto a Temu estão sendo investigadas na União Europeia sob a acusação de não coibir a venda de produtos falsificados e perigosos nas plataformas. Você pode entender melhor lendo esta reportagem.

**OS DOIS LADOS DA MOEDA**

Nesta newsletter falamos bastante sobre os avanços da tecnologia. É necessário e empolgante de certa forma, não? No entanto, é preciso falar dos prejuízos que surgem com elas. Tudo tem dois lados, até o ChatGPT.

O crescente uso de data centers pelas big techs gerou custos relacionados à saúde pública avaliados em mais de US$ 5,4 bilhões (cerca de R$ 30,7 bilhões) nos últimos cinco anos, segundo uma pesquisa da UC Riverside e da Caltech.

POR QUE?

Os centros de dados –aqueles que ocupam galpões com vários computadores– precisam de muita, mas muita, energia elétrica para funcionar.

A poluição no ar gerada por esse gasto energético foi atrelada ao tratamento de cânceres, asma e outros problemas relacionados pelos pesquisadores.

A matriz energética de muitos países –incluindo os EUA– são fortemente baseadas em combustíveis fósseis, que liberam gases de efeito estufa.

Esses centros costumam ser equipados com geradores reserva, ativados em caso de queda de energia, geralmente alimentados a diesel –mais poluentes no ar.

A coisa tende a piorar com a corrida para desenvolver IA generativa, que requer enormes recursos computacionais para treinar e a manutenção modelos de linguagem de grande escala em rápido desenvolvimento.

Os próprios chips também geram um descarte poluente: podem liberar produtos químicos nocivos à saúde no meio-ambiente.

COMO?

As descobertas da UC Riverside e Caltech foram derivadas usando uma ferramenta de modelagem amplamente utilizada da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA. O modelo da EPA traduz a qualidade do ar estimada e os impactos na saúde humana em um valor monetário.

E TEM MAIS

Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta previram que os gastos com IA poderiam exceder US$ 320 bilhões (R$ 1,8 tri) este ano, em comparação com US$ 151 bilhões (R$ 861 bi) em 2023.

Ainda, a OpenAI e o SoftBank revelaram no mês passado planos para uma joint venture gigante de infraestrutura de IA nos EUA de US$ 500 bilhões (R$ 2,8 tri) chamada "Stargate".

**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**

Fracasso não é fraude”...disse uma ex-empresária presa por enganar bilionários do Vale do Silício ao fundar uma startup de saúde sem fundamento.

Queimando gasolina. As montadoras estão repensando seus planos de transição para veículos elétricos. A BMW resolveu recalcular a sua rota, assim como algumas outras.

Fora do radar. As tais “emendas Pix”, que precisam de menos justificativas dos parlamentares para serem distribuídas, estão jogando 12% do investimento federal no escuro.

Na berlinda. Na esperança de enterrar a confusão sobre a origem de suas xícaras, Tânia Bulhões coloca o CEO para falar nas redes sociais.

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