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Governo não tem mais prazo e reforma da Previdência será a possível

BRASÍLIA - O governo não desistiu das reformas previdenciária e trabalhista, mas vai adotar agora um tom mais cauteloso nas conversas com os parlamentares. Não se trabalha mais com prazo e será feito o que for possível, disse um interlocutor do Planalto. Segundo essa fonte, isso não significa, porém novas concessões na Previdência, mas que não existirá mais pressão sobre os parlamentares por data. O cronograma anterior era aprovar as duas propostas ainda no primeiro semestre.

Mas após a crise gerada pela divulgação de conversas comprometedoras entre o presidente Michel Temer e o dono do frigorífico JBS, os relatores da reforma da Previdência, deputado Arthur Maia (PPS-BA) e da trabalhista, senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) anunciaram ontem a suspensão da tramitação das propostas. A avaliação do Planalto é que eles se precipitaram ao tomar a decisão antes do pronunciamento de Temer e da divulgação do teor das gravações.

Segundo fontes do Planalto, além dos relatores que serão chamados para conversas, os líderes do governo começam já no fim de semana a disparar telefonemas para reverter os estragos na base e reconquistar os votos necessários para a reforma da Previdência. Segundo o deputado Beto Mansur (PRB-SP), que está auxiliando o governo na comunicação da reforma, ainda falta convencer, pelo menos, 100 parlamentares indecisos a fim de conseguir uma maioria segura. Para aprovar a proposta, que altera a Constituição, são necessários 308 votos.

— Vamos começar um trabalho para reconstruir a base. Como num castelo de cartas, perdemos um andar na reforma da Previdência, recuamos um passo, mas vamos continuar o processo de negociação — disse um técnico.

No caso da votação da reforma trabalhista no Senado, disse a fonte, há interesse do próprio PSDB, apesar dos problemas enfrentados pelo partido. Além disso, senadores de outras siglas defendem as mudanças.

O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Moreira Franco, disse ao GLOBO que esse trabalho começou ontem mesmo, o que levou alguns ministros desistirem de deixar o governo. Ele destacou que a aprovação das duas reformas é um dos principais objetivos do governo para assegurar a retomada da economia e gerar empregos.

— Agora, vamos conversar com as forças políticas para reforçar esse trabalho, criar as condições para que o Congresso aprove as reformas — destacou o ministro, reafirmando que o governo não em prazo.

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