SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta quarta feira em São Paulo que o governo deve anunciar na próxima semana um novo pacote de reformas microeconômicas para estimular a economia. O ministro não deu detalhes, mas disse que são medidas que já foram discutidas pelos ministérios da Fazenda, do Planejamento e pelo Banco Central.
— São medidas que já foram discutidas nos grupos de trabalho. Entre elas está a reformulação da lei de recuperação judicial, medidas que visem o fortalecimento do crédito, adicionais as que anunciamos no ano passado, e ações que visem reforçar as garantias de alienação fiduciária — adiantou Meirelles.
Ele disse que as reformas microeconômicas, assim como a reformas macro — a PEC do teto dos gastos, já aprovada, e reforma da Previdência, em andamento — visam a tirar o Brasil da maior recessão de sua história, com 12 milhões de desempregados e uma retração de cerca de 7% em dois anos. Meirelles afirmou que em dezembro já houve recuperação de alguns setores como a indústria automobilística, transporte pesado, que refletiu em aumento de pedágios nas rodovias, e produção de papéis para embalagem. Segundo o ministro, tudo isso já indicava o crescimento da produção industrial em dezembro.
— Isso significa que o país está em processo de retomada do crescimento. Nossa expectativa é de um crescimento moderado no primeiro trimestre deste ano e que o país, no decorrer do ano, entre numa rota de crescimento sustentado e sustentável. O importante é que possamos nos livrar desse padrão voo de galinha, de crescer alguns anos, e depois cai o crescimento e entramos numa recessão. A segunda etapa é como crescer mais, com as chamadas reformas microeconômicas — afirmou.
Por enquanto, disse Meirelles, o governo continua trabalhando com perspectiva de crescimento de 1% este ano, o que na prática significa que o país deve sair da recessão este ano. Mas esse percentual de crescimento será revisado, avaliou o ministro, até março. Ele acredita que no último trimestre do ano, a economia já estará crescendo a um ritmo anual de 2% na comparação com o quarto trimestre de 2016.
O ministro afirmou que a convergência da meta de inflação para 3%, no longo prazo, como afirmou o presidente do Banco Central Ilan Goldfajn, é algo que deverá ser objeto de estudo e o Banco Central deverá propor ao Conselho Monetário Nacional (CMN), que no mês de junho fixa a meta de inflação para o ano seguinte. Meirelles disse que este assunto está "dando muita controvérsia", sem explicar a razão.
- Esta questão está dando muita controvérsia. Portanto, eu prefiro deixar esse assunto sendo respondido pelo presidente do Banco Central, na medida em que uma pessoa só falando já tem muito mal entendido a respeito. Duas pessoas falando, há ainda mais - disse.
O ministro afirmou que não há dúvida de que a tendência da inflação no Brasil é de que queda. Ele disse que uma das causas da inflação no Brasil era a expansão fiscal constante nos últimos anos e isso está sendo resolvido.
- Tudo isso faz com que a tendência da taxa de juros estrutural da economia seja de queda, no longo prazo, e também a inflação. Não há dúvida que o Brasil está caminhando para a normalidade - afirmou.
Meirelles fez a palestra de encerramento de evento destinado a investidores nacionais e estrangeiros promovido pelo banco Credit Suisse.

