RIO DE JANEIRO , RJ (FOLHAPRESS) - O Ministério da Economia lançou, nesta sexta-feira (27), o Feirão de Imóveis SPU+, colocando à venda cerca de 2.200 propriedades no Rio de Janeiro. Entre os imóveis destacados como vendáveis pelo governo Bolsonaro, está o Mercado São José das Artes, que já abrigou um efervescente espaço cultural e gastronômico, em Laranjeiras, na zona sul da cidade.
Pelo modelo da PAI (Proposta de Aquisição de Imóveis), o interessado, pessoa física ou jurídica, pode apresentar proposta de compra para qualquer imóvel da União. Cartilha do Ministério afirma que uma das principais inovações é que "qualquer imóvel federal pode receber uma PAI, cujo procedimento é realizado 100% online", dando início à concorrência pública.
Comunicado publicado no site do Ministério da Economia cita o Edifício A Noite, na Praça Mauá; o Edifício Inmetro, no Rio Comprido; o Edifício Engenheiro Renato Feio, no centro, e o galpão do antigo Caserj, na zona portuária, como exemplos de imóveis icônicos passíveis de receberem propostas de aquisição.
Embora não figure no texto de divulgação, o Palácio Capanema --cuja intenção de venda provocou reação no meio cultural-- está entre os imóveis que podem receber propostas. No entanto, não há em curso qualquer processo de privatização do edifício.
A cartilha exibe também uma fotografia da fachada do Mercado São José, pertencente ao INSS. O espaço --que abrigava restaurantes, estúdio de música, um centro cultural, um ateliê de arte, um grupo de capoeira e sediava três blocos de carnaval-- fechou as portas após disputa judicial entre governo e lojistas.
A PAI é apontada pelo governo como um instrumento que acelera e facilita o processo de venda de imóveis da União, a cargo da SPU (Secretaria de Coordenação e Governança do Patrimônio da União).
A intenção de venda do Palácio Gustavo Capanema causou reação entre arquitetos e urbanistas. Nas páginas do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o prédio é descrito como símbolo da arquitetura moderna brasileira. A edificação de 16 andares é fruto do encontro de nomes como Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Ernany de Vasconcelos e Jorge Machado Moreira, sob a consultoria de Le Corbusier.
"Pela primeira vez no Brasil, um edifício reuniu as principais características da arquitetura moderna, com o uso de pilotis, planta livre, terraço-jardim, fachada livre e janelas em fita. Somados a eles, também estiveram Burle Marx, Cândido Portinari, Bruno Giorgi, Adriana Janacópulus, Celso Antônio e Jacques Lipchitz, consolidando o time responsável pelas artes integradas, com pinturas, esculturas e paisagismo", afirma o site oficial do governo.

