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‘Governo de transição poderia estimular debate de reformas’, diz historiador da UFF

RIO - O historiador da UFF Daniel Aarão Reis, reformas são necessárias e deveriam ser tema de campanha em 2018.

Se os parlamentares insistirem em passar o trator, vai provocar quebra-quebra, insatisfação, veremos manifestações cada vez maiores, ensejando conflito social. Nossa polícia não tem nenhum preparo para enfrentar mobilizações, com cada um por si e Deus por ninguém. É uma situação dramática. Caldo de cultura grave e preocupante para a democracia brasileira. Nossos congressistas formam uma aristocracia que tem mordomias aberrantes, com infame foro privilegiado. Brasília é uma verdadeira ilha da fantasia. De um lado, elites políticas desmoralizadas. E Temer tentando se manter desmoraliza a cada minuto, a cada dia, a democracia. Juntamente com manifestação de massa reprimida de forma violenta, não pode ser positivo.

O ideal era que Temer renunciasse, e um governo de transição elaborasse um novo pacote de reformas. A Constituição de 1988 envelheceu, registrou grandes avanços sociais e políticos, porém consolidou, em muitos aspectos, legados da ditadura, como o artigo que autoriza as Forças Armadas a garantir a lei e a ordem. Até lá, um governo de transição poderia estimular esse debate para a campanha eleitoral em 2018 que não se limitasse a discutir homens, se ocupasse de programas alternativos. Será uma campanha eleitoral barata, sem a interferência abusiva e deletéria das grandes finanças.

Sou sensível à questão dos privilégios. Aposentar com 45 e 50 anos não existe em nenhum lugar do mundo. Mas num sistema em que todos contribuem de acordo com suas rendas, sua riqueza, não se pode deixar que só quem está na parte de baixo da pirâmide pague a conta. Gera descontentamento, insatisfação. O Brasil é altamente desigual. Fazer reformas só em cima dos trabalhadores não vai gerar um consenso social e sim um conflito, luta nas ruas.

Só seria possível se as manifestações estivessem num nível muito mais alto do que alcançaram até momento.

Sim , com o período que antecedeu o golpe militar de 1964.

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