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Governo avalia adotar medidas que podem fazer a conta de luz ficar ainda mais cara

RIO - O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, disse nesta segunda-feira que o governo avalia acionar as térmicas sem respeitar a ordem de menor custo da energia. Assim, preserva-se o nível dos reservatórios das hidrelétricas, que estão muito baixos. O efeito dessa medida para os consumidores, segundo especialistas, será um provável aumento na conta de luz no ano que vem, uma vez que a energia térmica, além de mais poluente, é mais cara.

Atualmente, o Operador Nacional do Sistema (ONS) aciona as térmicas baseando-se na chamada ordem do mérito. Nesta, privilegia-se a energia gerada pelo menor custo. Como a energia das hidrelétricas é mais barata, as térmicas só são acionadas depois que a energia hídrica é usada. Entretanto, como os reservatórios estão baixos, avalia-se usar a energia térmica antes de se esgotar a energia hídrica.

— Está sendo cogitado. Já estamos alertando há algum tempo sobre essa situação. Não há risco severo de desabastecimento. Mas vai ter, como já está tendo, impacto das tarifas para o consumidor — disse Coelho em evento da FGV no Rio.

Segundo João Carlos Mello, presidente da consultoria Thymos, existem cerca de 2.000 Megawatts (MW) de térmicas cujo custo fica entre R$ 850 e R$ 1.200 o megawatt-hora. Essas usinas, que são movidas a óleo combustível ou óleo diesel, representam 4% da potência instalada (capacidade de geração) das térmicas. Por isso, Mello avalia que haverá algum reajuste na conta de luz em 2018 devido a seu uso.

— Este ano não haverá impacto. Pode ser que os efeitos aconteçam no ano que vem. Vai depender de quanto tempo essas térmicas serão usadas — disse Mello.

O governo já vem acionando as térmicas a gás. Por isso, em novembro, o consumidor já sentirá o aumento da bandeira tarifária vermelha nível 2, que passará de R$ 3,50 para R$ 5 por cada 100 quilowatts-hora consumidos. O ajuste no valor foi necessário porque a arrecadação com a tarifa não vinha sendo suficiente para cobrir os custos das distribuidoras.

Para Nivalde de Castro, do Instituto de Economia da UFRJ, o acionamento das térmicas mais caras será preciso para que a água dos reservatórios seja poupada e, assim, as hidrelétricas cheguem, em maio de 2018, quando começa o período seco, com reservatórios com níveis sustentáveis, justamente para atravessar o período seco.

— É uma medida de precaução, não por risco de desabastecimento — disse Castro.

Segundo o ministro, o governo também busca uma solução para três térmicas que estão sem combustível, seja por questões comerciais ou de logística de suprimento. As térmicas são a de Cuiabá (MT), do grupo J&F, dos irmãos Batista; a de Araucária (RS), administrada por uma sociedade formada pela Copel e pela Petrobras; e a de Uruguaiana (RS), do grupo AES.

Fernando Coelho também afirmou que vai enviar à Casa Civil uma proposta de texto para a modelagem da privatização da Eletrobras. Segundo ele, caberá à pasta decidir se manda a proposta para o Congresso em forma de projeto de lei “de urgência urgentíssima” ou em forma de Medida Provisória.

— A ideia é que seja o mais rápido possível — concluiu.

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