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G20 terá exposição de economista francês em defesa da taxação de super-ricos

Por Folha de São Paulo

28/02/2024 14h30 — em
Economia



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O último dia do primeiro encontro de ministros de finanças e presidentes de Bancos Centrais do G20, nesta quinta-feira (29), terá uma exposição de Gabriel Zucman, economista francês que defende a taxação de super-ricos.

Professor associado da Universidade da Califórnia em Berkeley, Zucman é coautor de "The Triumph of Injustice" (O Triunfo da Injustiça), em que discute como os ricos pagam poucos impostos e o que deve ser feito para que eles sejam mais taxados. Também escreveu "The Hidden Wealth of Nations" (A Riqueza Oculta das Nações).

Ele é discípulo e parceiro de trabalhos de Thomas Piketty, teórico da desigualdade de renda e autor do best-seller "O Capital no Século 21".

Em sua apresentação, Zucman vai trazer sua linha de pesquisa e argumentar aos chefes das maiores economias do mundo que taxar os ricos pode trazer desenvolvimento econômico, já que alivia o endividamento dos países e abre caminho para políticas públicas desenvolvimentistas.

A proposta vai ao encontro à tributação mínima de grandes empresas, já em adoção por alguns países do G20 após o acordo firmado por cerca de 140 economias, com o apoio da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Chamada de taxação global, ela estabelece que as maiores empresas do mundo pagarão impostos nos países em que atuam, não apenas naqueles onde têm sedes, com um imposto global seria de 15%.

"Vamos pautar a necessidade da construção de algo que vai ao encontro com o que a OCDE tem feito, que é a tributação mínima sobre estoques de riqueza", disse Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (28).

Um imposto global sobre os super-ricos é uma das principais pautas da presidência do Brasil no G20. O objetivo é evitar a evasão fiscal, elevar a arrecadação dos governos e combater a desigualdade de renda.

"Observamos nas últimas décadas concentração crescente da riqueza na mãos de poucas pessoas", afirmou Mello.

De acordo com o secretário, diversos participantes do G20 apoiam a iniciativa. "Obviamente, a desigualdade fragiliza o ambiente democrático."

Um deles é a França. Em entrevista a jornalistas nesta quarta, o ministro da Economia francês, Bruno Le Maire, disse que vai propor a suas contrapartes a implementação de um novo sistema internacional de impostos com tributos mínimos para evitar sonegação.


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