BRASÍLIA — O governo autorizou, nesta terça-feira, o uso da Força Nacional para garantir a continuidade das obras e evitar protestos de indígenas na hidrelétrica de São Manoel, que está sendo construída no Rio Teles Pires, na divisa de Mato Grosso com o Pará. O empreendimento é tocado por um grupo de empresas que inclui a portuguesa EDP Energias do Brasil, a chinesa Three Gorges e Furnas, da Eletrobras.
Na portaria publicada no Diário Oficial da União que autoriza o uso da Força, o Ministério da Justiça informou que o pedido para as tropas aturarem na hidrelétrica foi feito pelo Ministério de Minas e Energia. O objetivo, segundo o documento, é “prevenir quaisquer ocorrências que possam por em risco a segurança dos envolvidos, a ordem pública, a continuidade das obras de conclusão da Usina Hidrelétrica (UHE) de São Manoel”.
Os policiais poderão ficar na região até 31 de dezembro, “nas atividades e serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”, para garantir a continuação das obras. O número de servidores não foi informado.
Orçada em R$ 3 bilhões, São Manoel poderá gerar até 700 megawatts de energia e está em fase final das obras. Equipes da Força Nacional já foram à região por determinação na Justiça. Agora, os policiais devem ficar no local até o fim das obras.
Em julho deste ano, índios da etnia Mundukuru invadiram o canteiro de obras da usina e passaram quatro dias ocupando o local. Os índios dizem que a hidrelétrica está sendo construída no entorno de suas aldeias e em meio a seus locais sagrados. A São Manoel fica bem no Morro do Macaco e em áreas de cachoeiras em que, para os munduruku, vivem espíritos dos animais.



