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FMI vê melhora generalizada da economia mundial

WASHINGTON. O Fundo Monetário Internacional (FMI) adotou um tom otimista em seu Panorama da Economia Mundial (WEO, na sigla em inglês), publicado na manhã desta terça-feira na capital americana. Intitulado “Estamos ganhando impulso?”, o documento prevê crescimento de 3,5% da economia mundial neste ano (alta de 0,1 ponto percentual sobre a projeção janeiro) e de 3,6% para 2018 (estável em relação ao levantamento anterior). No ano passado, a economia global cresceu 3,1%, segundo o FMI.

“As novidades positivas no terreno econômico não deixam de chegar desde meados de 2016 e graças a elas as perspectivas mundiais estão melhorando. A aceleração que esperávamos há muito tempo parece estar tomando corpo”, afirmou o documento. “Ambas melhoras para 2017 e 2018 são generalizadas, embora o crescimento segue fraco em muitas economias avançadas e os exportadores de matérias primas continuem passando por dificuldades”.

— Nossa nova projeção para 2017 é marginalmente maior do que o esperado em nossa última atualização. Essa melhora vem principalmente das boas notícias econômicas para a Europa e Ásia, e dentro da Ásia, principalmente para a China e o Japão — afirmou Maurice Obstfeld, economista-chefe do FMI.​

Entretanto, o FMI alerta que a taxa de crescimento potencial a longo prazo seguem inferiores às registradas nas últimas décadas mundialmente, em especial nos países desenvolvidos. Assim, o Fundo afirma que este otimismo não esconde riscos de futuras quedas no ritmo da atividade econômica mundial, destacando o protecionismo - em alta desde a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. O documento informa que, infelizmente, os governos acreditam que é mais fácil limitar o comércio internacional que fazer reformas internas necessárias para manter a competitividade destes países.

“Especialmente no caso das economia avançadas, se observam fatores que geraram respaldo político em prol de políticas de soma zero, capazes de afetar as relações comerciais internacionais e, em um nível mais geral, a cooperação multilateral”, afirma o documento. “E a desigualdade segue sendo substancial nos países mais pobres, mas eles agora tëm uma margem mais ampla de convergência a uma maior prosperidade e um potencial de crescimento mais elevado com políticas adequadas e o comércio internacional é um componente chave disso”.

O documento indica que a contínua força do crescimento chinês - que deve se expandir em 6,6% neste ano (0,1 ponto percentual a mais que a previsão de janeiro) e 6,2% em 2018 (alta de 0,2 ponto percentual sobre levantamento anterior) deve continuar melhorando o preço das matérias primas e ajudando países emergentes exportadores de commodities (produtos básicos com cotação global, como soja, minério de ferro e petróleo). O Fundo também aponta para uma boa atividade dos Estados Unidos, que passará de um crescimento de 1,6% em 2016 para 2,3% neste ano e 2,5% em 2018. Uma política fiscal mais flexível, recomposição de estoques e melhorias no emprego justificam o otimismo com os EUA.

“Mas em um horizonte mais longo, as perspectivas para a economia dos EUA são mais moderadas. O crescimento potencial é estimado em apenas 1,8 por cento, pesado por uma população em envelhecimento”, afirma o documento.

Grande destaque negativo no ano passado, o Reino Unido têm melhorado suas perspectivas, apesar de estar fazendo andar o chamado Brexit, a saída do país da União Europeia. O país deverá crescer 2% neste ano (alta de 0,5 ponto percentual em relação à previsão de janeiro) e 1,5% em 2018 (número 0,1 ponto percentual melhor que o previsto no começo do ano). O FMI afirma que os impactos negativos da saída do país da aliança continental serão mais graduais que o previsto e mais distribuídos ao longo do tempo.

Um dos maiores destaques das previsões do FMI é o Japão, que deverá crescer 1,2% neste ano (alta de 0,4 ponto percentual sobre a previsão de janeiro) e 0,6% em 2018 (melhora de 0,1 ponto percentual). A Rússia, apesar dos embates com os EUA, deverá crescer 1,4% tanto em 2017 como em 2018, o que representa uma melhora de 0,3 ponto percentual para este ano e de 0,2 ponto percentual em 2018 em relação às perspectivas divulgadas no começo do ano pelo FMI.

“O desempenho econômico nos mercados emergentes e economias em desenvolvimento permanece desigual. O crescimento da China continua forte, refletindo apoio político contínuo, mas a atividade diminuiu na Índia devido ao impacto de mudanças de câmbio, assim como no Brasil, que tem sido atolado em uma profunda recessão. E fatores geopolíticos seguraram o crescimento em partes do Oriente Médio e Turquia”, afirma o documento.

Assim como o Brasil e a Argentina, a América Latina deve sair da recessão neste ano. A Argentina passará de uma queda de 2,3% da atividade no ano passado para alta de 2,2% neste ano e crescimento de 2,3% no ano que vem. No Brasil, o resultado será mais modesto: da recessão de 3,6% o país passará a alta de 0,2% no PIB deste ano e de 1,7% em 2018. Assim, toda a América Latina sairá da recessão de 1% no ano passado para crescer 1,1% neste ano e 2% em 2018. Os maiores crescimentos da região neste ano serão vistos na Bolívia (4%) e Peru (3,5%).

Apenas dois países da região, Venezuela e Equador, deverão continuar em recessão. O caso venezuelano, em uma profunda crise econômica, política e social, é mais grave: após uma queda de 18% no PIB de 2016 deverá viver um novo tombo de 7,4% neste ano e de 4,1% em 2018. O Equador, por sua vez, passará da recessão de 2,2% no ano passado para uma queda de 1% neste ano e retração de 0,3% em 2018.

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