A Fitch Ratings reiterou nesta sexta-feira, 28, o rating de inadimplência do emissor (IDR) de longo prazo da França em "A+" e manteve a perspectiva estável. Em comunicado, a agência afirmou que a avaliação segue ancorada no porte e na diversificação da economia francesa, no sistema bancário considerado resiliente e na base ampla de investidores, além do suporte indireto do euro como moeda de reserva.
Ao mesmo tempo, a Fitch reforçou que o principal limitador do rating continua sendo o quadro fiscal. Segundo a agência, os déficits permanecem elevados e com pouca perspectiva de melhora no curto prazo: após cair de 5,8% do PIB em 2024 para 5,1% em 2025, a estimativa é de 5,2% em 2026, 5,5% em 2027 e 5,2% em 2028. A revisão incorpora crescimento mais fraco, aumento das despesas com juros e compromissos adicionais de defesa.
A trajetória da dívida também segue desfavorável. A Fitch projeta que a dívida do governo geral suba para 122,7% do PIB em 2028, ante 115,7% em 2025, patamar que, segundo a agência, ficaria bem acima do observado entre pares da categoria "A". Para estabilizar a dívida, o déficit compatível seria hoje próximo de 3% do PIB, avançando para cerca de 4% por volta de 2030.
No cenário político, a Fitch destacou que a fragmentação limita a previsibilidade e dificulta ajustes fiscais duradouros, com a eleição presidencial de 2027 como marco relevante. No lado real, a agência espera crescimento do PIB de 0,8% em 2026 e 1,1% em 2027 e 2028, com riscos de baixa.
A Fitch indicou que a perspectiva pode piorar se não houver avanço relevante na redução do déficit; e que um upgrade dependeria de confiança maior em uma trajetória firme de queda da dívida/PIB.
Mais cedo, a expectativa pelo relatório da Fitch pressionou ativos franceses, junto a preocupações com a política doméstica.
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