ARAUCÁRIA, PR (FOLHAPRESS) - A placa acima de uma das barracas dos acampados anuncia: são 28 dias de espera por negociações diante do eminente fechamento da Ansa (Araucária Nitrogenados), antiga Fafen-PR (Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná).
Os cerca de 1.000 trabalhadores foram comunicados pela Petrobras ainda em janeiro da hibernação da estrutura, a ocorrer num prazo máximo de 90 dias. Na manhã desta segunda (17), ao menos 30 deles estavam mobilizados no local pela permanência da fábrica e manutenção dos empregos.
O Sindiquímica-PR (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas do Paraná) afirma que, até não houve negociação coletiva diante das demissões em massa, o que violaria o acordo coletivo de trabalho com a empresa.
"É sabido que outras unidades fecharam e foram privatizadas, mas não de maneira abrupta como aconteceu aqui. Foi uma decisão unilateral e radical", aponta Alexandre dos Santos, diretor do sindicato.
A Ansa, que fica em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, aproveita o resíduo asfáltico da Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas), a poucos metros dali, e produz compostos de fertilizantes. Chega a gerar 700 mil toneladas de ureia e 475 mil toneladas de amônia por ano. É considerada a maior planta do mundo na produção de Arla 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo), produto que misturado ao diesel reduz a emissão de poluentes.
"Vivi vários períodos na empresa, mas jamais imaginei que, com a vinda da Petrobras, ia fechar", diz o ex-operador da Ansa Otêmio Garcia de Lima. Ele se aposentou antes do anúncio de desmonte, em novembro, após 33 anos de serviço, e integra o coro para manutenção da empresa.
A venda da fábrica pela Vale Fertilizantes para a Petrobras ocorreu em 2013. Desde então, diz a estatal, só teve prejuízos R$ 250 milhões apenas em 2019, já que a matéria-prima ficou mais cara que o produto final.
"O que ocorreu é que chutaram tanto nossa unidade que, quem ia comprar, desistiu", retruca o supervisor de mecânica Gerson Henrique Maciel, 17 de empresa, e um dos cerca de 150 funcionários que já receberam carta da empresa na tentativa de fechar acordos individuais de demissão.
A empresa oferece pacotes com adicionais que variam de R$ 50 mil a R$ 200 mil, segundo a remuneração e o tempo de trabalho, manutenção de plano médico e odontológico, benefício farmácia e auxílio educacional por até 24 meses, além de uma assessoria especializada em recolocação profissional por seis meses.
Segundo o Sindiquímica, menos de uma dezena de funcionários aderiu ao plano, na maioria aposentados que ainda estavam na ativa.
O fechamento da Ansa acendeu o alerta dos integrantes do Sindipetro-PR, que aderiram à greve nacional dos petroleiros e mantêm acampamento em frente à Repar, que integra o pacote de privatizações do governo federal.
"Desde o início do atual governo não há negociação com a Petrobras em momento algum", reclama o diretor do Sindipetro no Paraná Mário Dal Zot. Ele resume a paralisação como uma resposta "ao descaso" da atual gestão com o trabalhador da empresa.
Para Zot, a mobilização dos petroleiros pode ser exemplo para outras categorias em relação às políticas de privatização da gestão Bolsonaro.
"A gente conseguiu pautar na sociedade a questão do preço dos combustíveis. O Brasil tira petróleo do pré-sal, refina a baixíssimo custo e a população, que é a verdadeira acionista da Petrobras, não tem isso reflexo na bomba de combustível e no botijão de gás", avalia.
A Petrobras informou que os sindicatos descumprem decisão judicial de manutenção de 90% do efetivo necessário para manter a operação, mas afasta a possibilidade de desabastecimento.
A estatal ressaltou ainda a decisão do ministro do TST (Tribunal Superior do Trabalho) Ives Gandra que declarou inconstitucional a incorporação dos trabalhadores da Ansa aos quadros da Petrobras, uma vez que eles não são concursados.
Os cerca de 1.000 trabalhadores foram comunicados pela Petrobras ainda em janeiro da hibernação da estrutura, a ocorrer num prazo máximo de 90 dias. Na manhã desta segunda (17), ao menos 30 deles estavam mobilizados no local pela permanência da fábrica e manutenção dos empregos.
O Sindiquímica-PR (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas do Paraná) afirma que, até não houve negociação coletiva diante das demissões em massa, o que violaria o acordo coletivo de trabalho com a empresa.
"É sabido que outras unidades fecharam e foram privatizadas, mas não de maneira abrupta como aconteceu aqui. Foi uma decisão unilateral e radical", aponta Alexandre dos Santos, diretor do sindicato.
A Ansa, que fica em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, aproveita o resíduo asfáltico da Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas), a poucos metros dali, e produz compostos de fertilizantes. Chega a gerar 700 mil toneladas de ureia e 475 mil toneladas de amônia por ano. É considerada a maior planta do mundo na produção de Arla 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo), produto que misturado ao diesel reduz a emissão de poluentes.
"Vivi vários períodos na empresa, mas jamais imaginei que, com a vinda da Petrobras, ia fechar", diz o ex-operador da Ansa Otêmio Garcia de Lima. Ele se aposentou antes do anúncio de desmonte, em novembro, após 33 anos de serviço, e integra o coro para manutenção da empresa.
A venda da fábrica pela Vale Fertilizantes para a Petrobras ocorreu em 2013. Desde então, diz a estatal, só teve prejuízos R$ 250 milhões apenas em 2019, já que a matéria-prima ficou mais cara que o produto final.
"O que ocorreu é que chutaram tanto nossa unidade que, quem ia comprar, desistiu", retruca o supervisor de mecânica Gerson Henrique Maciel, 17 de empresa, e um dos cerca de 150 funcionários que já receberam carta da empresa na tentativa de fechar acordos individuais de demissão.
A empresa oferece pacotes com adicionais que variam de R$ 50 mil a R$ 200 mil, segundo a remuneração e o tempo de trabalho, manutenção de plano médico e odontológico, benefício farmácia e auxílio educacional por até 24 meses, além de uma assessoria especializada em recolocação profissional por seis meses.
Segundo o Sindiquímica, menos de uma dezena de funcionários aderiu ao plano, na maioria aposentados que ainda estavam na ativa.
O fechamento da Ansa acendeu o alerta dos integrantes do Sindipetro-PR, que aderiram à greve nacional dos petroleiros e mantêm acampamento em frente à Repar, que integra o pacote de privatizações do governo federal.
"Desde o início do atual governo não há negociação com a Petrobras em momento algum", reclama o diretor do Sindipetro no Paraná Mário Dal Zot. Ele resume a paralisação como uma resposta "ao descaso" da atual gestão com o trabalhador da empresa.
Para Zot, a mobilização dos petroleiros pode ser exemplo para outras categorias em relação às políticas de privatização da gestão Bolsonaro.
"A gente conseguiu pautar na sociedade a questão do preço dos combustíveis. O Brasil tira petróleo do pré-sal, refina a baixíssimo custo e a população, que é a verdadeira acionista da Petrobras, não tem isso reflexo na bomba de combustível e no botijão de gás", avalia.
A Petrobras informou que os sindicatos descumprem decisão judicial de manutenção de 90% do efetivo necessário para manter a operação, mas afasta a possibilidade de desabastecimento.
A estatal ressaltou ainda a decisão do ministro do TST (Tribunal Superior do Trabalho) Ives Gandra que declarou inconstitucional a incorporação dos trabalhadores da Ansa aos quadros da Petrobras, uma vez que eles não são concursados.



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