BRASÍLIA - O ministro do Planejamento, , afirmou nesta segunda-feira, ao abrir um seminário sobre gestão de capital de risco, que os atuais problemas fiscais tiraram espaço do para que a continue dando a projetos de infraestrutura. Ele fez um apelo para que os organismos multilaterais de crédito- como Banco Interamericano de Desenvolvimento (), Corporação Andina de Fomento () e Banco Mundial () - e o próprio assumam riscos maiores nas operações. Na garantia soberana, o Estado acaba assumindo a dívida que não é honrada.
— Estamos em uma nova realidade econômica e esses atores precisam ter um olhar diferente sobre essa nova realidade. Temos cada vez mais dificuldades para abrir espaço para dar garantia soberana. É importante que se pense em mitigar isso, sem necessariamente ter que recorrer à União, que não tem mais espaço, como no passado. O engessamento fiscal que nós temos é crescente e dificulta o exercício de uma inadimplência — afirmou o ministro.
Ele lembrou que, recentemente, o governo teve de encaminhar dois projetos ao Congresso, para a liberação de cerca de R$ 1,5 bilhão. O dinheiro era para cobrir dívidas não pagas por Venezuela e Moçambique. Esse caminho teve de ser trilhado, explicou, dado o engessamento orçamentário.
— É muito caro para o governo ficar mantendo espaços congelados no Orçamento. É importante que o setor privado assuma esse risco.
Colnago citou como exemplo positivo no país o fundo garantidor de crédito, construído no setor bancário. Segundo o ministro, trata-se de um fundo "parrudo", que absorve grande parte de uma eventual inadimplência causada por quebra de bancos de maior e médio portes. Dificilmente se recorre à União.
Apesar das dificuldades, o ministro do Planejamento destacou que o país tem, hoje, taxas de juros e de inflação reduzidas. A seu ver, isso pode criar "uma revolução", seja no mercado de crédito, seja no mercado de capitais.
— Isso implica uma necessidade de maior participação de garantias do setor de seguros e resseguros.

