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Europa prevê queda de 7,4% do PIB neste ano e recuperação incompleta em 2021

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BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - A economia da União Europeia vai mergulhar 7,4% neste ano por causa da crise do coronavírus, segundo a previsão divulgada nesta quarta (6) pela Comissão Europeia (o Poder Executivo da UE). É um "choque econômico sem precedentes desde a Grande Depressão [na década de 1930]", disse o comissário responsável por economia, Paolo Gentiloni. Como comparação, a crise financeira global iniciada em 2008 provocou uma queda de 4,5% em 2009. O tombo se deve principalmente aos primeiros seis meses deste ano. No primeiro trimestre, a atividade encolheu quase 16% em relação ao último trimestre de 2019, e ainda haverá impacto da pandemia neste trimestre. A Comissão prevê que a recuperação começa no segundo semestre e levará a um crescimento de 6,1% em 2021, ainda insuficiente para compensar a contração de 2020. Mais do que os números médios, o que preocupa a União Europeia é a desigualdade do efeito da pandemia entre os 27 países que formam o bloco, que pode exacerbar divisões econômicas e sociais na UE e ameaçar a estabilidade da área do euro. Tanto a contração do PIB quanto a velocidade da recuperação dependem da gravidade do surto, da amplitude e duração das quarentenas e da importância de serviços como o turismo em cada economia. Também provocam desigualdade os recursos financeiros e medidas adotadas pelos países para reduzir os danos durante as quarentenas e impulsionar a retomada. Itália, Espanha e França, três dos países mais atingidos pelo novo coronavírus, devem ver seus PIBs despencarem 9,5%, 9,4% e 8,2%, respectivamente, em 2020, enquanto na Alemanha a queda será de 6,5%. A Polônia sofrerá a menor contração neste ano, de 4,3%. Fora da UE desde o brexit, o Reino Unido, outro dos países mais afetados pela pandemia, deve ver seu PIB cair 8,3% neste ano. Para o próximo ano, a Comissão estima que os três primeiros países cresçam 6,5%, 7% e 7,4%, enquanto a Alemanha deve ter alta de 5,9%. A maior subida de 2021 deve ser a da Grécia, com crescimento de 7,9% do PIB. A recuperação do Reino Unido seria de 6% em 2021, desde que o país chegue a um acordo com a UE para manter suas relações comerciais, hipótese usada nos cálculos. Embora considere que a disparidade entre os países represente "uma ameaça para o mercado único e a área do euro", o comissário acredita que a resposta europeia desta vez será diferente da que sucedeu a crise financeira global, quando se aprofundaram debates entre países do norte e do sul. "Está claro para todos que os danos serão conjuntos. Se não tivermos uma resposta comum, as consequências não serão para os Frugais [países do norte] ou para os países do sul, do leste ou do oeste. É preciso haver uma ferramenta comum para recuperar a economia do bloco", disse o comissário. O Executivo da UE elabora um plano de reconstrução econômica baseado no orçamento plurianual da União Europeia (MFF), que deve ser aprovado neste ano. A ideia é elevar o teto do MFF para criar um colchão de garantia para um empréstimo tomado pela UE. Esse dinheiro seria repassado aos países membros, na forma de crédito e como doações. As discussões mais duras são justamente sobre o equilíbrio entre empréstimos e doações, com países do sul argumentando que não podem elevar suas dívidas e os do norte se recusando a custear repasses a outras nações. Os cálculos da UE divulgados nesta quarta levam em conta dados e medidas adotadas até 23 de abril -a Comissão ressalta, porém, que um dos efeitos da pandemia é justamente a falta de indicadores precisos e confiáveis. As estimativas também partem da premissa de que o novo coronavírus será controlado neste trimestre e não haverá um colapso financeiro. "O perigo de uma recessão mais profunda e prolongada é muito real", afirma o documento técnico. "Estas previsões, portanto, devem ser entendidas como apenas um dentre os vários cenários possíveis." Segundo a UE, bloqueios adotados na maioria dos países do mundo reduziram a oferta -pela suspensão de atividades não essenciais, falta de insumos e pelos trabalhadores estarem doentes, confinados ou tendo que cuidar de familiares. A capacidade de produção pode ser recuperada "se as medidas adotadas para proteger emprego e renda, liquidez e investimento forem eficazes". Mesmo assim, a demanda ficará baixa por mais tempo, por causa da insegurança das famílias sobre o mercado de trabalho e das empresas, que, sem poder prever vendas futuras, vão cancelar investimentos. A previsão é que o investimento fique 7% abaixo do que havia sido projetado no ano passado, uma redução equivalente a 850 bilhões de euros (cerca de R$ 5,1 trilhões) em 2020 e 2021. Neste ano, o desemprego deve subir dos 6,7% de 2019 para 9%. "A taxa de desemprego, porém, não conta toda a história, pois haverá queda significativa do número de horas trabalhadas e da renda dos trabalhadores", disse Gentiloni. "A pandemia provavelmente deixará algumas cicatrizes persistentes."

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