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‘Está sobrando dinheiro para devolver ao Tesouro’, diz Dyogo Oliveira

RIO - O novo presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, sustenta que o banco tem o caixa fortalecido o suficiente para cumprir a devolução antecipada de R$ 130 bilhões em recursos ao Tesouro Nacional prevista para este ano, sem perder a capacidade de financiar investimentos no país. É posicionamento diferente do sustentado por seu antecessor na presidência da instituição, Paulo Rabello de Castro, que questionava abertamente o pagamento ao governo federal.

No ano passado, o BNDES registrou R$ 71 bilhões em desembolsos, o menor patamar desde 1999. A meta para este ano é alcançar R$ 90 bilhões. Em paralelo, devolveu R$ 50 bilhões em recursos ao Tesouro no ano passado, com o compromisso de repassar outros R$ 130 bilhões este ano. Oliveira, que assumiu o comando do BNDES no último dia 9 de abril, recusa a tese de que o banco teria encolhido nos últimos anos, afirmando que a instituição está pronta para oferecer crédito a empresas brasileiras, principalmente as pequenas e médias:

— O BNDES vai ter o tamanho necessário para o desenvolvimento do Brasil. Ele não precisa ser gigante. O BNDES precisa ter o tamanho que a gente precisa. Hoje, a demanda de dinheiro no BNDES é menor do que o volume de recursos que o BNDES tem. Tanto que está sobrando dinheiro para devolver ao Tesouro — explicou Oliveira, que participou no fim da tarde de hoje do programa Redação Globo, na Rádio Globo, apresentado pela jornalista Rosana Jatobá.

O tombo nos desembolsos, pondera Dyogo, é consequência do freio na demanda por investimentos no país, ainda que a economia já apresente melhora.

Ele afirmou que o BNDES, daqui para frente, vai trabalhar cada vez mais focado em oferecer crédito a empresas em desenvolvimento e de diferentes portes, fazendo críticas a política de “campeões nacionais”, que impulsionou grandes companhias do país, como a JBS, por exemplo.

— Não vamos repetir o erro da escolha. Não cabe ao governo, ao BNDES, escolher quem vai ser o líder do setor. O BNDES vai ser um banco aberto, transparente, para que as empresas que precisam dele tomem dinheiro e não haja aquilo que a gente chamou de escolha dos “campeões nacionais”. Vamos deixar o banco aberto para que as empresas que sejam boas, tenham tecnologias boas, tenham capacidade financeira boa tomem dinheiro para investir para desenvolver o país — disse Dyogo.

Ele garantiu que o BNDES vai criar novas linhas mais adaptadas a cada setor e a cada ramo de atividade, principalmente para as pequenas e médias empresas.

— O nosso trabalho principal vai ser focar o BNDES na pulverização dos seus recursos. Tirar essa pecha do BNDES de ter ajudado apenas as grandes empresas. Então, a nossa estratégia passa muita pela digitalização do banco, tornar as operações rápidas, digitais e facilitar o acesso das pequenas empresas ao banco — complementou o presidente do banco, citando a criação do BNDES Giro, linha de capital de giro para pequenas empresas recém-lançada já em formato digital.

Dyogo defendeu a privatização da Eletrobras, que descreve como oportunidade para criar uma das maiores companhias do setor no mundo, o que pode colaborar para reduzir o custo da energia no país:

— É uma grande oportunidade no país de ter uma das maiores empresas de energia do mundo. Hoje, temos uma empresa à beira da falência, que foi objeto de anos de má gestão e que foi prejudicada por decisões de política energética. A oportunidade que temos de capitalizar essa empresa vai ajudar a resolver os problemas e (permitir que ela possa) voltar a investir. A Eletrobras não participa das licitações, ela não pode investir. O preço do leilão fica mais alto porque tem um investidor a menos. Então, se faz a capitalização, a Eletrobras volta a participar dos leilões e o custo da energia vai cair no país.

Sob escrutínio de uma série de órgãos nos últimos anos, o BNDES enfrenta também o desafio de se fortalecer institucionalmente. O presidente do banco afirma que a instituição colabora com as investigações e saiu em defesa dos funcionários da casa:

— O BNDES está passando por um período de purgação. Foi objeto de duas CPIs, de operação da Polícia Federal, do Ministério Público, do TCU (Tribunal de Contas da União). Há uma série de auditorias dentro do banco. É importante saber que não há nenhuma acusação contra ninguém do banco. Isso é um valor muito grande no país em que nós estamos vivendo.

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