BRASÍLIA — No momento em que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgava, nesta quarta-feira, uma denúncia contra o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, ele se reunia com o presidente do Senado, Eunício Oliveira, para pedir aprovação do projeto de securitização da dívida ativa do estado. O projeto, que já aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e precisa passar agora pelo plenário, permitiria a Pimentel botar a mão em cerca de R$2 bilhões de antecipação de receita para tapar parte do rombo de R$7 bilhões nas contas do governo e garantir o pagamento do 13º do funcionalismo público.
Questionado por estar no Senado pedindo mais dinheiro quando o STJ julgava seu envolvimento em corrupção, Pimentel disse que tinha que trabalhar. E afirmou que, se o Congresso não aprovar a antecipação da receita, não há plano B para o pagamento do 13º dos servidores mineiros.
— Sou governador e preciso trabalhar pelo estado independente do que acontece no Judiciário. O Judiciário tem total autonomia e soberania para decidir o que for melhor . Meus advogados estão lá encaminhando e enquanto isso eu estou trabalhando por Minhas Gerais. Minha expectativa é que denúncia não seja aceita, porque é absolutamente inconsistente — respondeu Pimentel.
O ministro Herman Benjamin, relator do caso no STJ, votou pelo recebimento da denúncia, mas foi contra o afastamento do governador do seu caso. O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Og Fernandes. Não há previsão de quando o STJ retomará a análise do caso.

