SÃO PAULO - Em meio a um processo de venda de ativos, a unidade de novos negócios da JBS anunciou nesta terça-feira um investimento de R$ 30 milhões para a criação de uma empresa na área de fertilizantes. O local da nova unidade será divulgado em breve e a operação deve começar em um ano, segundo comunicado divulgado pela empresa.
De acordo com a JBS, a área de novos negócios tem como objetivo aproveitar resíduos orgânicos gerados pela JBS.
“Seremos a primeira empresa de alimentos no Brasil a utilizar resíduos orgânicos gerados em nossas fábricas para produzir fertilizantes e, com isso, passaremos a atuar no mercado agrícola”, explicou na nota divulgada pela empresa Nelson Dalcanale, presidente da JBS Novos Negócios.
A nova unidade será gerida pela executiva Susana Martins Carvalho, formada em engenharia agronômica, segundo informou a JBS. Com a empresa, os resíduos orgânicos deixam de ser um custo para se transformar em receita. O produto poderá ser utilizado em lavouras de soja, milho, café e algodão, entre outras. Segundo a JBS, atualmente 75% dos fertilizantes utilizados na lavoura do país são importados.
A JBS vive um processo de desinvestimento depois da delação premiada de seus controladores, os irmãos Joesley e Wesley Batista. Ambos admitiram atos de corrupção e revelaram um esquema de pagamentos de propinas a políticos e uma série de negócios com o BNDES. A multa prevista no acordo fechado com a Procuradoria Geral da República foi estabelecida em R$ 10,3 bilhões.
Para fazer frente a esse valor, os Batista estação vendendo ativos. Já foi vendida a operação da JBS no Mercosul, com frigoríficos na Argentina, Paraguai e Uruguai, que rendeu quase R$ 1 bilhão. A controladora do grupo, J&F, vendeu a Alpargatas, por R$ 3,5 bilhões à Itaúsa e ao fundo Cambuhy, e a Vigor, por R$ 5,7 bilhões aos mexicanos da Lala. A J&F também está negociando a Eldorado, de celulose.

