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Em campanha, governo vai apelar para Congresso 'salvar' Previdência

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BRASÍLIA - Ainda sem votos para aprovar a previdenciária, o governo vai apelar diretamente aos deputados para "salvar" a . Em campanha digital que começa nesta quarta-feira, será defendido que a proposta vai "proteger" os mais pobres e evitar que o Brasil "quebre". Ainda, o tom será que "nada muda" para deficientes, idosos e aposentados — pontos que foram cedidos pelo Palácio do .

As peças, dirigidas ao "parlamentar", têm trechos como "os mais pobres correm o risco de deixar de receber seus benefícios", "não vamos deixar o Brasil chegar na situação da Grécia", "o Brasil não pode quebrar" e "seu voto vai proteger os 80% mais pobres". Todas as pessoas retratadas aparecem com roupas simples e expressões fechadas.

Em outro vídeo, pedestres são questionados na Avenida Paulista se acham "justo" o país ter "menos dinheiro para Saúde e Educação e manter altas aposentadorias" e funcionários públicos ganharem mais de R$ 30 mil de aposentadoria. A peça conclui que respostas negativas a essas perguntas mostram apoio à reforma.

Nesta quarta-feira, Temer fez café com deputados para discutir a aprovação da reforma. Mais tarde, haverá um jantar. A despeito de o deputado Beto Mansur (PRB-SP), vice-líder do governo no Congresso, cravar que a votação será marcada para a semana que vem, e que nesta quarta-feira à noite serão constatados 290 votos, um aliado pondera que a situação ainda é crítica. Esse aliado lembra que a reunião teve baixo quórum, com 21 deputados, e que foi rápida por falta de debates. Aproximadamente metade dos parlamentares não quis dar declarações durante a audiência.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que é responsável por pautar a reforma, teria lembrado aos comensais que na noite da véspera o governo teve dificuldades no plenário da Câmara, na votação de mudanças a uma medida provisória do setor petrolífero. A base teve melhor desempenho em um destaque em que conseguiu 241 votos, menos da metade da Casa.

Em maio, antes da divulgação das delações da JBS, a reforma previdenciária estava pronta para ir ao plenário da Câmara, mas ainda sem os 308 votos necessários. À época, o plano do governo era que a fase final antes de a matéria ir a voto cobrasse os deputados, mas via sociedade. O tom seria que cada brasileiro deveria "cobrar seu parlamentar". Com a crise política e as duas denúncias criminais contra o presidente Michel Temer, a campanha foi suspensa. Sete meses depois, a estratégia é citar diretamente o cargo do parlamentar.

A desigualdade brasileira também é explorada: "Isso é justo?", perguntará o narrador de um vídeo para as redes sociais após números que compararam aposentadorias de "altos funcionários públicos" e "privilegiados" de R$ 30 mil ao teto do INSS, que é de R$ 5,5 mil.

Os pontos de que o governo já abriu mão desde o envio da reforma, há um ano, também são abordados para tentar tranquilizar o parlamentar. A expressão "nada muda" é empregada cinco vezes: para deficientes, idosos, trabalhadores rurais, aposentados e quem já pode se aposentar mas ainda não o fez. A campanha defende que "as idades para se aposentar continuam iguais", e que a mudança da idade mínima será gradual em 20 anos.

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