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Eleição terá mais peso para economia brasileira com cenário externo desfavorável, diz Citi

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O resultado da eleição presidencial de 2022 ganhará peso em um ano em que a economia global não irá ajudar no crescimento dos países emergentes. Nesse sentido, a questão fiscal será o ponto crítico para avaliação de cada candidatura no Brasil.

A afirmação é do economista-chefe do Citi Brasil, Leonardo Porto, que apresentou nesta sexta-feira (17) as perspectivas da instituição financeira para o próximo ano.

Ele disse que uma percepção do mercado financeiro de que o resultado das eleições poderá estar selado a partir de abril e maio levaria a uma antecipação dos efeitos dessa definição sobre a economia.

Porto disse achar pouco provável uma definição do quadro eleitoral tão antecipada, mas afirmou que uma incerteza até o final do segundo turno adia, por exemplo, os efeitos sobre o preço de ativos da vitória de um candidato comprometido com a responsabilidade fiscal.

Pesquisa do Datafolha realizada de 13 a 16 de dezembro aponta que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria todos seus adversários num eventual segundo turno se a eleição presidencial de 2022 fosse hoje.

"O que importa para o mercado não é quem vai ou quem não vai [ganhar], mas sim o discurso. Especialmente em relação à política fiscal. Esse é um tema crítico", afirmou.

"O mercado vai olhar basicamente dois fatores. O que a gente chama de 'pay off', o valor atribuído a cada um dos candidatos, à qualidade da sua política econômica do ponto de vista da sustentabilidade da dívida pública. E a probabilidade de ganho ou de derrota desse candidato."

Segundo o economista, se um candidato abraçar a causa da responsabilidade fiscal, seja ele Lula, Jair Bolsonaro, Sérgio Moro ou qualquer outro, e for ganhando probabilidade de vitória ao longo das pesquisas eleitorais, isso ajuda no preço dos ativos. Entre esses preços, o câmbio, projetado pelo Citi em R$ 5,60 no final de 2022.

Ele afirmou ter muitas dúvidas sobre a plataforma de cada candidato. Citou a postura do ex-presidente Lula de manter uma política fiscal mais austera em 2003 e, em contraponto, o governo caminhando no sentido contrário na gestão Dilma Rousseff. Disse que o mesmo raciocínio pode ser aplicado ao atual presidente, que manteve um discurso na campanha de 2018, mas tem atualmente outra postura.

Conforme divulgado na semana passada, o Citi revisou as estimativas para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil neste ano de 4,7% para 4,5% e em 2022 de 0,6% para 0,3%.

Segundo Leonardo Porto, isso contempla uma economia praticamente estagnada em todos os trimestres. Exceto no primeiro de 2022, quando a safra de soja deve ajudar no resultado da agropecuária, e no último do próximo ano, quando se espera alguma expansão.

"A economia brasileira está, na melhor das hipóteses, estagnada neste momento, se é que não está em recessão", afirmou.

Para ele, a fraqueza da atividade pode levar o Banco Central a rever a sinalização de que irá promover um novo aumento de juros de 1,5 ponto percentual no início do próximo ano. O Citi projeta que a taxa básica passaria dos atuais 9,25% para 11% ao ano até março, número abaixo dos quase 12% esperados pelo mercado.

A instituição também projeta que a inflação deve recuar de 10,1% no final deste ano para 4,7% no próximo.

Ele disse que os fatores positivos para a inflação são uma melhora na questão energética no Brasil e o efeito da desaceleração da economia global sobre os preços de commodities, por exemplo, do petróleo. Também é esperada uma normalização dos gargalos da cadeia produtiva no segundo semestre.

Por outro lado, disse que os pontos de preocupação vêm da inércia inflacionária e da capacidade de o Banco Central conseguir ancorar as expectativas de inflação, destacando o comprometimento da instituição sinalizado até o momento.

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