PARIS – Para o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, ainda é muito cedo para saber como evoluirá a relação da instituição com a nova administração dos Estados Unidos, presidida por Donald Trump. Entre os governos com os quais a OMC enfrenta hoje maiores divergências, o embaixador brasileiro cita Washington como o mais problemático.
— O elefante na sala são os EUA. Eles têm uma nova administração que apresenta uma visão claramente diferente da administração anterior no que diz respeito a negociações comerciais, e precisamos entender como isso tudo vai repercutir no processo até a conferencia ministerial da OMC de dezembro, em Buenos Aires. Ainda estamos em um estágio em que é muito difícil dizer o que se pode alcançar até lá, e é isso que estamos discutindo agora — disse o embaixador brasileiro em Paris, onde participa da reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O embaixador brasileiro diz que as negociações da OMC com a administração Trump não estão bloqueadas, mas ainda reina a incerteza em relação aos parâmetros em que será balizada anova relação.
— Eles querem trabalhar com a OMC, têm preocupações com certas áreas do trabalho que fazemos em Genebra, mas não houve ainda uma especificidade maior sobre como dar tratamento a isso, e precisamos conversar um pouco mais. Todo país quer fazer as coisas à sua maneira, mas não vejo neste momento nenhuma indicação de ruptura. Acho que é uma questão de trabalhar, mas em que bases ainda é muito cedo para dizer. Internamente nos EUA há um processo de consultas, entre a administração, o Congresso e o setor privado, e acho que esta conversa lá ainda não amadureceu a ponto de nos dar clareza do que poderá ser feito concretamente.
Azevêdo não se diz nem otimista nem pessimista em relação às negociações da OMC com os EUA:
— Eu sou engenheiro, sou realista, senão o edifício cai. Este é um processo muito importante neste momento.
* Enviado especial

