LIMA - Gestoras de carteiras como o Goldman Sachs e o UBS apregoam as oportunidades de investimentos nos mercados emergentes, mas esta classe de ativos tem uma notável opositora: a professora de Harvard Carmen Reinhert.
A economista observa que as crescentes dívidas, o enfraquecimento das condições de comércio, as taxas de juros em alta no mundo e o freio no crescimento são motivo de preocupação.
Para ela, os países em desenvolvimento estão pior do que em seus momentos de fraqueza recentes: a crise financeira mundial de 2008 e a onda de vendas de 2013 como consequência do anúncio da redução de compra de dúvidas do Fed, episódios em que as Bolsas perderam 64% e 17%, respectivamente
— Em geral, se encontram em uma forma que tem muito mais falhas do que há cinco anos e, sem dúvida, do que no momento da crise financeira mundial — afirmou Carmem, em Cambridge, Massachusetts. — São condições internas e externas.
Sobre a relação entre a inflação dos EUA e as ações dos mercados emergentes, Carmen disse vai além da alta dos preços, e se “baseia principalmente nas taxas de juros”
— Não é a inflação . É o que implica para a reação da política monetária dos EUA. Quanto maior é o ajuste, mais antecipação de que as taxas subirão cada vez mais, e isso tem consequências multiplicadoras para os mercados emergentes — acrescentou.
Ao comentar a vulnerabilidade dos mercados emergentes, ela observou que os mercados emergentes se recuperaram muito rapidamente após a crise financeira e tinham “muito pouca dívida externa”, o que, para ela, é “um elemento importante”. Porém, o cenário mudou:
— É de se esperar que, depois de uma década de taxas de juros extremamente baixas, quando houve muitos incentivos para pedir emprestado, e, agora, quando as taxas começam a subir, e há uma subida do dólar novamente, as vulnerabilidades começam a se acumular.
Carmen observou que, o olhar para trás, em momentos de instabilidade, os países que buscam um selo de aprovação para os mercados recorrem ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Ela diz não saber o que o presidente argentino, Mauricio Macrim fará com , mas que é um bom sinal aos mercados:
— Do ponto de vista do mercado, é um sinal do governo de que realmente quer seguir as regras do jogo. Estão buscando um apoio de liquidez.

