RIO - O presidente da siderúrgica ítalo-argentina Ternium, Paolo Bassetti, acredita que o Brasil precisa demonstrar a força das instituições e manter a agenda das reformas da Previdência e trabalhista, para que os sinais de retomada da economia não sejam dissipados pela crise política. Ele afirma ainda que o capital estrangeiro está em compasso de espera, na expectativa de que as reformas sejam aprovadas, para investir no Brasil. A Ternium é sócia da Usiminas, empresa em que trava disputa pelo controle com a japonesa Nippon Steel, e comprou a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) há pouco mais de dois meses.
Bassetti: Independentemente do que aconteceu nas últimas 48 horas, o Brasil tem que mostrar que vai conseguir fazer as reformas (da Previdência e trabalhista). Se isso não acontecer, o impacto na demanda interna será grande. Vamos perder o fôlego. O mercado vinha dando sinais de reaquecimento e vai dar uma parada.
B: É preciso uma solução rápida, com ou sem (o presidente Michel) Temer, para o país não perder o fôlego e manter a agenda das reformas. Os investidores estrangeiros estão todos na praia esperando isso acontecer (as reformas). Essa tentativa de reorganizar o Brasil, que a Operação Lava-Jato está fazendo, é vista positivamente pelo capital estrangeiro. Mas esse vazamento (da delação de Joesley Batista, presidente do grupo que controla a JBS) veio numa hora imprópria. Se viesse três semanas depois, as reformas já teriam sido aprovadas.
B: No Brasil, a demanda é muito sensível à turbulência política. Quando o brasileiro percebe que as coisas estão melhorando no cenário político, se sente mais confiante para consumir. Um dos setores que serão mais afetados por esse possível freio na melhora da confiança é a siderurgia, que é indústria de base. O setor estava ensaiando uma recuperação este ano.



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