SÃO PAULO - O dólar comercial segue o mercado externo e opera em queda pelo terceiro pregão consecutivo. A moeda americana recuava, às 14h46, 0,43% ante o real, cotada a R$ 3,169. Na mínima, a divisa já chegou a R$ 3,156. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registra alta de 1,07% em seu índice de referência, o Ibovespa, que chega aos 65.213 pontos, sustentada pelo desempenho da Vale e siderúrgicas.
Na avaliação de Bernard Gonin, analista e gestor de renda fixa da Rio Gestão de Recursos, o dólar está mais fraco porque os investidores esperavam que assim que assumisse o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciasse medidas fiscais, como corte de impostos, e o plano de investimentos em infraestrutura. Como isso não aconteceu, os juros dos títulos públicos americanos recuaram, fazendo o dólar perder força.
— Trump não mostrou nada de concreto no plano econômico de curto prazo e isso influenciou a curvo de juros americana. O mercado está um pouco frustrado — disse, lembrando que com juros mais baixos nos Estados Unidos, os investidores procuram outros ativos de maior risco.
Os títulos do Tesouro americano de dez anos estão sendo negociados com um juro de 2,44% ao ano. Era de 2,60% em 12 de dezembro e de cerca de 1,80% antes da eleição de Trump. A melhora nos indicadores da atividade econômica americana e a eleição do republicano levaram a essa alta. A avaliação de analistas é que com uma política mais expansionista prometida durante a campanha, de maiores gastos públicos e cortes de impostos, a inflação irá ganhar força e, assim, o Federal Reserve (Fed, o bc americano) terá que elevar mais os juros. Mas como não há nenhuma confirmar dessas promessas, os juros no mercado futuro voltaram a perder força.
O dólar perde força em escala lobal. O “dollar index”, que mede o comportamento da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, tem recuo de 0,44% nesta manhã.
Os mercados internacionais veem com cautela o novo comando nos Estados Unidos. “Ontem Trump anunciou que iniciará conversas com o México e o Canadá para renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, em inglês). Nesse cenário de incertezas, o dólar recua no exterior ante o iene, euro e outras moedas dos emergentes, ampliando as perdas em relação ao final da semana passada”, afirmou Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio.
A decisão de rever o Nafta também teve um efeito sobre as bolas internacionais, em um momento em que os investidores temem um menor volume do comércio internacional. O Dow Jones recua 0,31% e o S&P 500 registra queda de 0,43% nesta segunda-feira. Já na Europa, os principais indicadores operam em queda. O FTSE 100, de Londres, cai 0,72%. No caso do DAX, de Frankfurt, o recuo é de 0,76% e o CAC 40, da Bolsa de Paris, tem variação negativa de 0,74%.
A Bolsa de Tóquio fechou em queda de 1,29%, sob forte impacto de subida do yen frente ao dólar diante do clima de incerteza. O Hang Seng, de Hong Kong, ficou praticamente estável, com leve variação positiva de 0,06%.
No mercado acionário local, a alta do Ibovespa é sustentada pelo desempenho das ações da Vale, que refletem a valorização de 0,9% do minério de ferro na China - a tonelada chegou a US$ 81,10. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) registravam valorização de 2,96% e as ordinárias (ONs, com direito a voto) sobem 2,89%. Com a alta do minério, o setor siderúrgico também é beneficiado. As ações da Usiminas avançam 7,05% e as da Gerdau, 3,08%.
Já as ações da Petrobras estão perto da estabilidade. As preferenciais têm leve queda de 0,12%, cotadas a R$ 15,98, e as ordinárias têm alta queda de 0,16%, a R$ 17,86.

