SÃO PAULO - O mercado de câmbio viveu nesta segunda-feira um pregão de ajuste. O dólar comercial recuou mais de 1% e voltou a fechar abaixo dos R$ 3,30. A moeda americana recuou 1,45% ante o real, cotada a R$ 3,26, a maior queda desde maio. Já o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, fechou em alta de 0,54%, aos 74.313 pontos, puxado pelo desempenho da Petrobras e Vale.
A queda do dólar ocorreu em escala global, mas foi maior na comparação com as moedas de países produtores de commodities, como o Brasil. O “dollar index”, que mede o comportamento do dólar frente a uma cesta de dez divisas, recuava 0,23% próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil.
— O dólar trabalhou em queda na esteira da desvalorização do seu par no exterior. Internamente tivemos um movimento de correção em relação a alta exagerada da moeda americana ocorrida na sexta-feira — explicou Jefferson Luiz Rugik, analista da Correparti Corretora de Câmbio.
Na sexta, a moeda teve alta de 1,29%, indo a R$ 3,308, em uma resposta à expectativa de um maior crescimento da economia americana. Ainda no cenário externo, o anúncio, na semana passada, de que Jerome Powell irá substituir Janet Yellen no Federal Reserve (Fed, o bc americano) já foi absorvido pelos investidores e não causou pressões na moeda nesta segunda-feira.
No Ibovespa, a alta foi sustentada pelo bom desempenho das ações ligadas à commodities, que respondem à valorização dos preços no exterior. O petróleo do tipo Brent operava em alta de 3,29%, a US$ 64,11 o barril e o índice de commodities da Bloomberg subiu 1,48% hoje.
— Começamos a semana com o petróleo e o minério de ferro subindo bem, o que favorece a Vale e a Petrobras. No caso do petróleo, há um empenho dos países produtores em manter o corte da produção par ao ano que vem — explicou Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial.
As preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Vale subiram 2,24% e as ordinárias (ONs, com direito a voto) tiveram alta de 2,38%. No caso da Petrobras, a alta foi de 2,89% nas preferenciais, cotadas a R$ 17,43, e de 2,20% nas ordinárias (R$ 18,10)
Ainda entre as ações com forte alta, destaque para os papéis da Eletrobras. As preferenciais subiram 5,40% e as ordinárias 5,28%. O ministério do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou que o governo irá diminuir sua participação na estatal para até menos que 40% e que a oferta de ações referente a essa operação pode ocorrer no primeiro semestre do ano que vem.
Entre as quedas, as ações do Banco do Brasil recuaram 0,80%. Há o temor de que o banco público tenha que devolver dinheiro à União. As preferenciais do Itaú Unibanco tiveram leve alta de 0,45% e as do Bradesco caíram 0,41%. O setor bancário é o de maior peso na composição do Ibovespa.
Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor, avalia que a queda no setor bancário impede uma alta maior do índice. Além disso, sem notícias relevantes, o mercado não encontra força para subir.
— As commodities ajudam, mas por outro lado os bancos seguram a alta. Na minha análise, os investidores estrangeiros estão na ponta vendida e não há força entre os investidores locais para fazer a Bolsa subir tanto, aí o mercado fica mais fraco — avaliou.

