A moeda americana encerrou a última sexta-feira (14) cotada a R$ 5,2213 na venda, com alta de 0,61% no dia. Foi o quinto pregão consecutivo de valorização, a maior sequência de altas diárias registrada em 2026, e levou o dólar ao patamar mais elevado desde 30 de março. Na semana, o avanço chegou a 2,7%. No acumulado do ano, apesar do movimento recente, a divisa ainda registra queda de 4,88% frente ao real.
O efeito não fica restrito às mesas de operação. Em Manaus, cuja indústria depende de componentes e insumos comprados no exterior, o câmbio mais alto encarece a reposição de estoques e tende a chegar às prateleiras semanas depois, em eletrônicos, eletrodomésticos, peças e produtos importados em geral. Quem planeja viagem internacional ou compra em site estrangeiro também sente de imediato, porque passagens, hospedagem e cartão de crédito no exterior são convertidos pela cotação do dia — e ainda entra o IOF na conta.
O combustível é outro ponto de contato direto. Os preços praticados no Brasil acompanham a paridade internacional, que é calculada em dólar, e a capital amazonense já convive com um dos valores mais salgados do país: na pesquisa da Agência Nacional do Petróleo referente à semana de 2 a 8 de agosto, a gasolina comum foi encontrada em Manaus a uma média de R$ 7,28 o litro, o diesel S-10 a R$ 7,08 e o botijão de 13 quilos de gás de cozinha a R$ 128,44. Um câmbio pressionado por período prolongado dificulta qualquer alívio nessas médias.
Do lado do crédito, a taxa básica de juros está em 14% ao ano desde 5 de agosto, quando foi cortada em 0,25 ponto percentual, no quarto corte seguido do ciclo iniciado em março. O patamar ainda é alto e mantém caro o cartão parcelado, o cheque especial e o financiamento de carro ou imóvel. A inflação, por sua vez, deu trégua em julho: o índice oficial de preços subiu 0,07% no mês e acumula 4,44% em doze meses, com energia elétrica residencial em alta de 3,09% e recuo de 0,67% nos alimentos e bebidas. A próxima decisão sobre os juros está marcada para 15 e 16 de setembro. Até lá, adiar compras de itens importados que não sejam urgentes, fugir do rotativo do cartão e pesquisar preço de combustível entre bairros são as saídas mais práticas para reduzir o impacto no orçamento.



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