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Dólar sobe pelo 3º dia, a R$ 3,19, com Fed; Bolsa registra 5ª queda seguida

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RIO - O dólar comercial registrou nesta quarta-feira sua terceira alta seguida frente ao real, e a Bolsa caiu pelo quinto pregão seguido. De acordo com analistas, os investidores deram pouca atenção aos leilões de privatização das usinas da Cemig e das áreas de petróleo e olharam mais para o cenário político local.

O câmbio acompanhou a tendência da divisa americana em escala global depois de fala da presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) aumentar as expectativas de aumento de juros nos EUA e com a perspectiva de aprovação da proposta de reforma tributária de Donald Trump. A moeda avançou 0,82% contra o real, cotada a R$ 3,194 para venda. Foi o maior valor desde 14 de agosto. Já o índice Dollar Spot, da Bloomberg, que mede a força da divisa contra dez pares internacionais, avançou 0,56%. No mercado acionário, o índice de referência Ibovespa recuou 0,7%, aos 73.796 pontos. Foi a quinta a queda consecutiva da Bolsa, a maior sequência de desvalorizações desde maio de 2016.

— São as notícias políticas internas que estão pesando. Ontem, a medida que permite que Moreira Franco continue venceu de forma super apertada, revelando uma fragilidade inesperada na base governista. Esse placar pode até não ameaçar o Temer, mas é uma mensagem de que o apoio da base vai custar caríssimo para ele. O afastamento de Aécio, que apoiava o presidente, e o recuo do petróleo também reforçam a desvalorização dos papéis — disse um gestor que preferiu não ser identificado.

Segundo Hersz Ferman, Elite Corretora, a expectativa de alta de juros nos EUA após a fala da Yellen, além da necessidade de realização de lucro pelos investidores da Bolsa, justificam parte das perdas do Ibovespa.

— Também é preciso avaliar as consequências políticas do leilão das usinas. A Cemig não levou nada no leilão, e sabemos o quanto a bancada mineira estava trabalhando fortemente para que ela continuasse com essas usinas. Depois do leilão, o deputado Fábio Ramalho, que é vice-presidente da Câmara e coordena a bancada mineira, acusou o governo de não cumprir o que prometeu com a companhia. Logo, há um receio de que isso fragilize a base de Temer — afirmou Ferman.

Com os leilões de suas usinas, a Cemig fechou em queda de 1,61% (PN, por R$ 7,92). De acordo com analistas, havia a expectativa de que a companhia conseguisse ficar com uma das quatro usinas leiloadas, embora seja consenso que ela não possui saúde financeira para fazer tal investimento.

A Petrobras, que participou dos leilões da ANP, recuou 1,61% nas duas ações, por R$ 15,88 (ON) e R$ 15,31 (PN).

— A empresa recuou junto com o mercado como um todo. A gente teve um rali muito alto de Bolsa, então agora está havendo devolução. E houve fatos para isso, como Coreia do Norte, discurso da Janet Yellen e piora da visão do cenário político. O toma lá da cá no Congresso está cada vez mais forte, e vê-se menos chance de a reforma da Previdência sair — disse Pedro Galdi, analista da corretora Magliano.

As maiores altas do pregão foram de empresas exportadoras, que se favorecem do real mais fraco. A Fibria Celulose avançou 3,55%, enquanto a Embraer teve ganho de 2,44%. A Klabin valorizou-se em 1,57%, e a Vale subiu 1,37%.

Em discurso ontem, Janet Yellen, presidente do Fed, disse que a autoridade monetária não deveria se mover muito gradualmente, reforçando a percepção entre investidores de que o BC dos EUA promoverá nova alta dos juros este ano. A elevação das taxas tende a valorizar a moeda do país.

“Yellen, a presidente do Fed, foi bastante cuidadosa em seu discurso de ontem, quando abordou ‘inflação, incertezas e política monetária’ em Ohio. Segue acreditando que a inflação está sendo transitoriamente mantida abaixo da meta de 2%, mas, dadas as incertezas atuais, reforça a necessidade de fazer um ajuste ‘gradual’. Mantém, portanto, ‘viva’ a expectativa de uma nova elevação de juros em 2017”, escreveu Ignacio Crespo, economista da Guide Investimentos.

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