RIO e SÃO PAULO - O dólar começou o dia oscilando, mas ganhou força no início da tarde com os investidores cautelosos à espera da decisão do banco central americano, o Federal Reserve (Fed), sobre a taxa de juros nos EUA. A moeda americana abriu em queda, mas agora sobe 0,31% a R$ 3,16. A divisa inverteu a tendência após a divulgação do número de novas vagas de emprego criadas nos EUA. Na mínima, a moeda americana chegou a ser negociada a R$ 3,13.
O setor privado americano criou 246 mil novos postos de trabalho, em janeiro, superando as previsões iniciais de 164 mil.
- Como consequência natural, a moeda americana recuperou as perdas de início da sessão e passou a operar no positivo, aqui e no exterior - afirma Ricardo Gomes Pereira, especialista em câmbio da corretora Correparti.
Analistas avaliam que, no curto prazo, o fluxo positivo de investimentos estrangeiros para o pais pode sustentar uma trajetória de baixa para o dólar, no curto prazo. No início da semana, a moeda americana desceu até R$ 3,10.
Ontem, o dólar subiu 0,73%, a R$ 3,152, após . O presidente do BC disse que poderá ou não renovar a totalidade dos US$ 7 bilhões em contratos de swaps cambiais que vencem no dia primeiro de março, dependendo das condições do mercado. O estoque atual de swaps está em US$ 26 bilhões, um patamar confortável disse Ilan Goldfajn, mas que pode ser reduzido, o que levou a uma alta momentânea do dólar ontem. Analistas avaliam que o fluxo positivo de recursos para o país sustenta uma tendência de queda do dólar no curto prazo.
Hoje, o mercado está de olho no banco central americano, o Federal Reserve (Fed), que deve decidir sobre a taxa de juro nos EUA. É a primeira reunião com Donald Trump na presidência. A expectativa é que os juros permaneçam no atual patamar (entre 0,50% e 0,75%), mas os investidores estão com a atenção voltada para o comunicado do Fed, que pode indicar se haverá uma subida na próxima reunião do órgão. A expectativa é que juros devem subir pelo menos três vezes este ano.
Quando os juros subirem nos EUA, espera-se um repique de alta da moeda americana por aqui, já que uma parte dos recursos destinados a países emergentes, como o Brasil, tendem a migrar para a segurança do mercado americano.
O Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, abriu em alta, chegou a subir mais de 1%, mas perdeu fôlego. No início da tarde, o índice opera com ganho de 0,74% aos 65.146 pontos. Em janeiro, o Ibovespa subiu 7,4% e um dos motivos para o ganho foi um corte mais intenso da taxa de juros Selic, pelo Banco Central, que passou de 13,75% a 13% ao ano. A expectativa do mercado é que, com inflação cadente, o BC continue derrubando os juros com mais intensidade nas próximas reuniões.
As ações de bancos, com peso no índice, estão em alta, com as preferenciais do Itaú subindo 0,77% a R$ 37,52 e as preferenciais do Bradesco com ganho de 0,82% a R$ 32,97. Petrobras PN sobe 1,06% a R$ 15,18. Em assembleia, a Petrobras aprovou a venda da Liquigás por R$ 2,67 bi. Já a venda da Petroquímica Suape e da Citepe foi retirada de pauta, após uma liminar judicial suspender o negócio. A empresa informou que se não conseguir vender Petroquímica Suape e Citepe, fechará as unidades, pois “a geração de fluxo de caixa é negativa”.
“Há preocupação da empresa com o retorno, o que é positivo para o acionista da companhia”, diz Celson Plácido, analista da XP Investimentos, em relatório.
As preferenciais da Vale avançam 2,29% a R$ 31,29.
Os investidores também estão atentos à indicação do novo relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), que deve ocorrer na sessão de hoje.
Na Europa, as Bolsas estão em alta à espera da decisão do Fed.

