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Dólar sobe e Bolsa oscila, com 'prévia' do PIB brasileiro e expectativa sobre juros dos EUA no radar

Por Folha de São Paulo

17/11/2025 14h06 — em
Economia



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar está em leve alta nesta segunda-feira (17), com o mercado avaliando os dados da atividade econômica do Brasil medidos pelo IBC-Br, considerado uma "prévia" do PIB (Produto Interno Bruto).

Na ponta internacional, investidores monitoram discursos de autoridades do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) à procura de pistas sobre as próximas decisões de política monetária da instituição.

Às 14h35, a moeda avançava 0,21%, a R$ 5,307, em linha com o movimento no exterior. O índice DXY, que compara o dólar a outras seis divisas fortes, marcava alta de 0,16%, a 99,45 pontos. Já a Bolsa tinha leve variação positiva de 0,01%, a 157.761 pontos.

O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) registrou queda de 0,2% em setembro ante agosto, acima das expectativas de retração de 0,1% de economistas consultados pela Reuters.

A atividade ainda encolheu 0,9% em relação ao trimestre anterior. Os dados, segundo o economista Rafael Perez, da Suno Research, confirmam a t tendência de desaquecimento da economia "tendo em vista os efeitos da política monetária restritiva sobre o crédito, o consumo e os investimentos, somado com uma base de comparação elevada do primeiro semestre".

Na comparação com setembro de 2024, o indicador teve alta de 2%, avançando 3% em 12 meses. Os dados oficiais do PIB do terceiro trimestre serão divulgados no início de dezembro, e a expectativa mediana dos economistas é de alta de 1,8% sobre o trimestre anterior, após crescimento de 0,4% no segundo trimestre, segundo o BC.

O BC tem sinalizado convicção de que a manutenção da taxa de juros em 15%, maior patamar em quase 20 anos, vai assegurar a volta da inflação à meta de 3%. O objetivo perseguido pela autarquia tem margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo —ou seja, será considerado cumprido caso o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) fique entre 1,5% e 4,5%.

Nesta segunda, economistas ouvidos pelo BC para o Boletim Focus previram, pela primeira vez no ano, que a inflação ficará dentro da meta em 2025. A expectativa é que o dado terminal seja de 4,46% ao fim de dezembro.

Os dados abrem margem para a possibilidade do ciclo de cortes da Selic ter início no começo do ano. Essa perspectiva, apesar de estimular a renda variável, faz pressão contra a moeda brasileira.

No mercado de câmbio, quanto maior o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, melhor para o real. Quando a taxa por lá cai —como ocorreu nas últimas duas reuniões do Fed— e a Selic permanece em patamares altos, investidores se valem da diferença de juros para apostar na estratégia de "carry trade".

Isto é: toma-se empréstimos a taxas baixas, como a americana, para investir em mercados de taxas altas, como o brasileiro. O aporte aqui implica na compra de reais, o que desvaloriza o dólar.

Por outro lado, a continuidade do ciclo de cortes nos Estados Unidos foi colocada em dúvida na última semana. Uma série de declarações de autoridades do Fed aponta que, para a próxima reunião de política monetária, não há consenso sobre uma nova redução nos juros.

Exemplo disso é Mary Daly, presidente do Fed de São Francisco, até então defensora de juros mais baixos. Ela afirmou, na quinta-feira, que qualquer decisão sobre o próximo passo do banco central é "prematura".

"Tenho uma mente aberta, mas ainda não tomei uma decisão final sobre o que penso e estou ansiosa para debater com meus pares", afirmou.

Neel Kaskari, presidente do Fed de Minneapolis, fez coro à cautela. Há alguns meses, ele afirmou que achava que um terceiro corte na taxa de juros até o final do ano estava garantido. Agora, ele classifica os últimos sinais da economista como "mistos", em sinalização de que ele também pode estar em cima do muro.

"Temos uma inflação ainda muito alta, em torno de 3%", disse ele. "Alguns setores da economia dos EUA parecem estar indo muito bem. Alguns setores do mercado de trabalho parecem estar sob pressão."

Mais comentários de dirigentes do Fed são esperados para esta segunda-feira. Até agora, as pontuações têm sugerido que as divisões no banco central estão ficando mais profundas. O presidente do Fed, Jerome Powell, já havia pontuado o desafio da falta de consenso na entrevista coletiva após o encontro de outubro, dizendo que outro corte está "longe" de ser uma certeza.

Operadores agora estão divididos: 44,9% deles apostam em um corte de 0,25 ponto em dezembro, enquanto os 55,1% restantes vêem uma manutenção como mais provável, de acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group.

"Há um mês, 90% dos operadores apostavam em um corte. A perspectiva de reduções mais lentas favorece a rentabilidade dos títulos americanos e ajuda na atração de investimentos externos, o que tende a fortalecer o dólar globalmente", diz Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Para o Brasil, o tarifaço ainda entra em cena. Trump assinou na sexta-feira uma medida para reduzir tarifas sobre a importação de carne bovina, tomate, café e banana, em movimento voltado para controlar a inflação dos alimentos no país.

Entre outros países exportadores de commodities, as medidas devem beneficiar o Brasil, maior produtor global de café e segundo maior produtor de carne bovina, atrás apenas dos EUA, segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA).

O decreto publicado por Trump, no entanto, se aplica apenas à alíquota de 10% das chamadas "tarifas recíprocas" impostas em abril a todos os países. A sobretaxa de 40% sobre o Brasil segue em vigor.

"Isso prejudica a competitividade dos produtos brasileiros, o que prejudiciaria as exportações brasileiras. Menos dólares entrando no Brasil implicam na desvalorização do real", diz Mattos.


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