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Dólar ronda estabilidade na abertura com dados econômicos do Brasil no radar

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar rondava a estabilidade nas primeiras negociações desta quarta-feira (28), à medida que os investidores se posicionam para a divulgação de uma série de dados econômicos no Brasil, enquanto no exterior o foco continua em torno da política comercial dos Estados Unidos.

Às 9h03, a moeda americana subia 0,08%, a R$ 5,6511. Na terça (27), o dólar fechou em queda de 0,52%, cotado a R$ 5,645, e a Bolsa avançou 1,01%, a 139.541 pontos.

Os investidores repercutiram os dados de inflação no Brasil medidos pelo IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) e a política comercial dos Estados Unidos, com expectativa por anúncios de novos acordos tarifários.

O IPCA-15 desacelerou a 0,36% em maio, após marcar 0,43% em abril, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado ficou abaixo das projeções do mercado financeiro, cuja mediana era 0,44%, segundo a agência Bloomberg. A taxa de 0,36% é a menor para meses de maio em cinco anos, desde 2020 (-0,59%).

Com o dado desta terça, a alta do índice desacelerou a 5,4% no acumulado de 12 meses, após marcar 5,49% até abril. A taxa, contudo, segue acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) em 2025.

Por ser divulgado antes, o IPCA-15 sinaliza uma tendência para o IPCA, indicador oficial de inflação do país. A maior diferença entre os dois é o período de coleta das informações.

Os resultados inspiram otimismo sobre o cenário inflacionário no Brasil. "Ajudam a diminuir um pouco as preocupações em relação à desancoragem das expectativas de inflação e mostram para o Copom (Comitê de Política Monetária) que talvez não haja necessidade de novas altas de juros", avalia Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.

"Ainda, indicam que a política monetária não precisa ser tão restritiva por tanto tempo."

Operadores passaram a precificar chance de 97% de que o BC mantenha a taxa Selic em 14,75% ao ano na reunião do próximo mês, acima da probabilidade de 92% antes da divulgação dos dados.

Essa perspectiva também norteou as negociações nas curvas de juros futuros, com os prazos mais curtos começando a refletir a possibilidade de uma taxa Selic mais baixa do que o esperado anteriormente.

A taxa de DI (depósito interfinanceiro) para janeiro de 2026 caiu para 14,69%, ante 14,72% do fechamento de segunda. Para janeiro de 2027, a taxa foi a 13,85%, ante 13,95%. Já a taxa de janeiro de 2028 fechou em 13,36%, ante 13,52%.

"Embora o IPCA-15 de maio ainda mostre números de inflação elevados, e esta seja uma única leitura melhor do que o esperado, a divulgação sugere que a inflação pode ter começado a virar a esquina", avaliaram em relatório Vinicius Moreira e Cassiana Fernandez, do JP Morgan.

"Se a reversão ampla nos indicadores principais vista na prévia do IPCA de maio for mantida nas próximas divulgações, representaria uma desaceleração do IPCA mais cedo do que o esperado, já que esperávamos ver tal desaceleração apenas na segunda metade deste ano."

O mercado, entretanto, ainda manteve cautela devido às preocupações com o cenário fiscal do país, reavivadas na semana passada pelo anúncio de aumentos nas alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Na quinta (22), com o mercado à vista de câmbio já fechado, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou o IOF de uma série de operações de câmbio e crédito de empresas, com previsão de arrecadação de R$ 20,5 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026. Também foi divulgado o congelamento de R$ 31,3 bilhões de despesas do Orçamento deste ano.

As mudanças levaram o dólar futuro a acelerar antes do fechamento, às 18h. Diante dessa e de outras repercussões negativas no mercado, o governo convocou uma reunião de emergência e decidiu rever parte das medidas sobre o IOF.

Houve a reversão para zero de uma alíquota de 3,5% anunciada na véspera sobre aplicações de fundos de investimentos do Brasil em ativos. A mudança deve reduzir o ganho de arrecadação em aproximadamente R$ 6 bilhões até 2026.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na manhã de segunda-feira que o governo tem até o fim desta semana para decidir como compensará a arrecadação perdida.

No cenário externo, o foco seguiu nos Estados Unidos. O presidente Donald Trump decidiu adiar a implementação de tarifas de 50% sobre a União Europeia para julho, atendendo ao pedido da presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen.

A chefe do órgão executivo da UE disse que "um bom acordo" demandaria mais tempo, depois que Trump afirmou, na sexta-feira, que tarifas de 50% sobre produtos do bloco começariam a incidir em 1º de junho.

A jornalistas, Trump disse que as conversas começariam "rapidamente".

A notícia inspirou alívio nos investidores, com muitos reagindo somente nesta terça devido ao fechamento dos mercados nos EUA na véspera.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou em disparada de 2,05%. Nasdaq avançou 2,47% e Dow Jones, 1,78%.

Também foi um fator positivo a forte queda nos rendimentos dos títulos ligados ao Tesouro dos Estados Unidos, as apelidadas "treasuries". O movimento seguiu a esteira das perdas nos rendimentos dos títulos japoneses, após o Ministério das Finanças do Japão indicar que pode reduzir a emissão de títulos de longo prazo.

Esse movimento também corroborou para a queda nas taxas de juros futuros no Brasil.

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