RIO e SÃO PAULO - O dólar começou o dia em queda, inverteu a tendência e ganhou força no início da tarde com os investidores cautelosos à espera da decisão do banco central americano, o Federal Reserve (Fed), sobre a taxa de juros nos EUA. A moeda americana sobe 0,09% vendida a R$ 3,15. A divisa mudou de rumo após a divulgação do número de novas vagas de emprego criadas nos EUA. O setor privado americano criou 246 mil novos postos de trabalho, em janeiro, superando as previsões iniciais de 164 mil.
- Como consequência natural, a moeda americana recuperou as perdas do início da sessão e passou a operar no positivo, aqui e no exterior - afirma Ricardo Gomes Pereira, especialista em câmbio da corretora Correparti.
Na mínima, a moeda americana chegou a ser negociada a R$ 3,134. Analistas avaliam que, no curto prazo, o fluxo positivo de investimentos estrangeiros para o pais pode sustentar uma trajetória de baixa para o dólar, no curto prazo. No início da semana, a moeda americana desceu até R$ 3,10.
Hoje, o mercado está de olho no banco central americano, o Federal Reserve (Fed), que deve decidir sobre a taxa de juro nos EUA. É a primeira reunião com Donald Trump na presidência. A expectativa é que os juros permaneçam no atual patamar (entre 0,50% e 0,75%), mas os investidores estão com a atenção voltada para o comunicado do Fed, que pode indicar se haverá uma subida na próxima reunião do órgão. A expectativa é que juros devem subir pelo menos três vezes este ano.
Quando os juros subirem nos EUA, espera-se um repique de alta da moeda americana por aqui, já que uma parte dos recursos destinados a países emergentes, como o Brasil, tendem a migrar para a segurança do mercado americano.
Ontem, o dólar subiu 0,73%, a R$ 3,152, após . O presidente do BC disse que poderá ou não renovar a totalidade dos US$ 7 bilhões em contratos de swaps cambiais que vencem no dia primeiro de março, dependendo das condições do mercado. O estoque atual de swaps está em US$ 26 bilhões, um patamar confortável disse Ilan Goldfajn, mas que pode ser reduzido, o que levou a uma alta momentânea do dólar ontem. Analistas avaliam que o fluxo positivo de recursos para o país sustenta uma tendência de queda do dólar no curto prazo.
O Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, abriu em alta, chegou a subir mais de 1%, mas perdeu fôlego. Nesta tarde, o índice opera com ganho de 066% aos 65.096 pontos. Em janeiro, o Ibovespa subiu 7,4% e um dos motivos para o ganho foi um corte mais intenso da taxa de juros Selic, pelo Banco Central, que passou de 13,75% a 13% ao ano. A expectativa do mercado é que, com inflação cadente, o BC continue derrubando os juros com mais intensidade nas próximas reuniões.
“Os mercados começaram o mês de fevereiro com o pé direito. Bolsas sobem no exterior, e o ambiente para ativos de risco segue favorável. Embora Trump siga no radar, dados fortes do mercado de trabalho dos EUA mantém a expectativa por uma economia mais forte nos próximos meses”, escreveram os analistas da Guide Investimentos em relatório.
As ações de bancos, com peso no índice, estão em alta, com as preferenciais do Itaú subindo 0,99% a R$ 37,59 e as preferenciais do Bradesco com ganho de 0,76% a R$ 32,97. Petrobras PN sobe 0,53% a R$ 15,11. Em assembleia, a Petrobras aprovou a venda da Liquigás por R$ 2,67 bi. Já a venda da Petroquímica Suape e da Citepe foi retirada de pauta, após uma liminar judicial suspender o negócio. A empresa informou que se não conseguir vender Petroquímica Suape e Citepe, fechará as unidades, pois “a geração de fluxo de caixa é negativa”.
“Há preocupação da empresa com o retorno, o que é positivo para o acionista da companhia”, diz Celson Plácido, analista da XP Investimentos, em relatório.
As preferenciais da Vale avançam 2,55% a R$ 31,34 com números mais favoráveis da indústria na China.
Os investidores também estão atentos à indicação do novo relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), que deve ocorrer na sessão de hoje.
Na Europa, as Bolsas estão em alta à espera da decisão do Fed.

