Início Economia Dólar opera estável após BC manter dúvidas sobre início do corte de juros
Economia

Dólar opera estável após BC manter dúvidas sobre início do corte de juros

Envie
Dólar opera estável após BC manter dúvidas sobre início do corte de juros
Dólar opera estável após BC manter dúvidas sobre início do corte de juros
Envie

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 11 Dez (Reuters) - O dólar iniciou a quinta-feira estável ante o real, após o comunicado do Banco Central na véspera não passar indicações claras sobre quando o corte de juros começará no Brasil, enquanto no exterior a moeda norte-americana tem sinais mistos ante as demais divisas.

Às 9h28 o dólar à vista mostrava estabilidade, a R$5,4676 na venda.

Na B3, o contrato de dólar futuro para janeiro -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 0,11%, a R$5,4905.

Na noite de quarta-feira o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC anunciou a manutenção da taxa básica Selic em 15% ao ano, sem sinalizar exatamente quando o ciclo de cortes poderá começar -- em janeiro ou em março.

"O Comitê avalia que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", apontou o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC no comunicado, adotando a palavra "adequada" no lugar de "suficiente", usada em novembro.

Parte do mercado esperava por indicações mais claras sobre a possibilidade de corte da Selic já em janeiro, o que não se confirmou, ainda que o BC não tenha fechado a porta para esta possibilidade.

No comunicado, o BC avaliou que a estratégia “em curso” de manutenção dos juros por “período bastante prolongado” é “adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”. No comunicado anterior, de novembro, não havia o termo “em curso”.

“Essa adição está em linha com o discurso recente de (presidente do BC, Gabriel) Galípolo, que esclareceu que o ‘bastante’ não reinicia a cada reunião, ou seja, esse período já vem ocorrendo há meses”, avaliou o consultor Sérgio Goldenstein, da Eytse Estratégia, em comentário enviado a clientes. “A retirada do caráter de guidance abre espaço para corte já em janeiro sem ruptura na comunicação.”

No início do mês, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, havia dito que a contagem de tempo da Selic restritiva por prazo “bastante prolongado” não zera a cada reunião.

Para o economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares, o BC manteve no comunicado seu diagnóstico e sua sinalização.

“Entendemos que isso deve esvaziar as apostas do mercado pelo início do ciclo de cortes de juros em janeiro. Nossa opinião, há algum tempo, é de que as condições para esse início não estarão dadas antes de março”, pontuou em comentário após a decisão.

Enquanto os agentes no Brasil seguem debatendo quando o ciclo de cortes da Selic começa, no exterior as apostas majoritárias são de que o Federal Reserve manterá sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% em janeiro. Na tarde de quarta-feira, o Fed promoveu um corte de 25 pontos-base, como esperado.

O diferencial de juros entre Brasil e EUA tem sido apontado como o principal motivo para que o dólar se mantenha em patamares mais baixos ante o real -- ainda que desde sexta-feira o câmbio no Brasil esteja pressionado pelo anúncio da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência em 2026.

Às 9h25, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,11%, a 98,473.

Às 11h30 o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de janeiro.

Siga-nos no

Google News