O dólar fechou nesta quinta-feira (15) perto de R$ 5,08, com alta de mais de 1%, na maior cotação das últimas semanas, em meio à expectativa do mercado com pesquisas eleitorais e com a proposta de tarifa zero no transporte público defendida pelo governo. A valorização da moeda americana encarece diretamente produtos e serviços cotados ou precificados em dólar, efeito que chega ao consumidor amazonense de forma mais intensa do que em outras regiões do país.
A taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% ao ano desde o corte feito pelo Copom em setembro, e o colegiado só volta a se reunir em 4 de novembro. Isso significa crédito ainda caro para quem financia carro, móveis, reforma ou viagem, com parcelas mais pesadas no cartão e no cheque especial enquanto a taxa não cai de forma mais consistente.
Em Manaus, o efeito do dólar alto tem um ingrediente a mais: o sistema elétrico do Amazonas depende de termelétricas movidas a combustíveis que seguem a cotação internacional, o que pressiona o custo da energia gerada na capital e no interior. O Polo Industrial de Manaus também importa componentes eletrônicos e peças em dólar para fabricar celulares, motos e eletrodomésticos, de forma que a moeda mais cara tende a se refletir, com o tempo, no preço de produtos da Zona Franca e na saúde financeira das fábricas que empregam milhares de trabalhadores na cidade.
Itens da cesta básica com insumos importados, viagens internacionais e compras em dólar no cartão de crédito também ficam mais caros com a cotação atual. Para quem mora em Manaus, a recomendação de analistas é evitar compromissos financeiros em dólar ou parcelados a juros altos neste momento, e acompanhar a cotação antes de fechar negócios que dependam da moeda americana, como viagens ou importações.
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