RIO e SÃO PAULO - O dólar comercial fechou em queda de 0,22% nesta terça-feira frente ao real, cotado a R$ 3,121, devolvendo parte da alta registrada na véspera. No exterior, as principais moedas emergentes também recuaram frente à divisa americana. Os investidores estão à espera da decisão de política monetária nos Estados Unidos, na próxima semana, quando o Federal Reserve (o banco central americano) poderá elevar a taxa de juros.
No mercado acionário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,9%, aos 65.742 pontos, em pregão volátil marcado pela divulgação de dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2016.
Para o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo, o dólar fechou em queda por conta de fluxo de estrangeiros para a renda fixa no Brasil. A alta de juros nos EUA, segundo Galhardo, já está no radar do mercado. A expectativa dos investidores é que seja a primeira de três elevações que o Federal Reserve deve promover este ano. Por conta disso, segundo o especialista, a moeda americana já corrigiu alguns excessos de baixa frente ao real no mês de fevereiro, quando chegou a ser cotada a R$ 3,05.
- O dólar flutuando entre R$ 3,10 e R$ 3,12 aparentemente não incomoda o Banco Central. Ontem, as palavras do presidente do BC, Ilan Godfajn, dizendo que pode utilizar o estoque de swaps para conter a volatilidade fez o dólar futuro chegar a R$ 3,16. Mas ainda há fluxo de estrangeiros para renda fixa, já que há interesse pelos juros brasileiros, mesmo com a queda da Selic. Isso fez a moeda ceder hoje. E nos EUA, uma alta de juros já é dada como certa - diz Galhardo.
Goldfajn, durante evento em São Paulo na noite de ontem, disse que o BC ainda dispõe de um estoque de US$ 22 bilhões em swaps cambiais que poderão ser utilizados, caso necessário, para conter uma volatilidade cambial excessiva. Na prática, o BC sinaliza que poderá manter parte ou a totalidade de sua posição vendida no mercado de câmbio futuro.
Em 2016, É a primeira vez em quase 70 anos que o PIB tem dois resultados negativos anuais seguidos, com perda acumulada de 7,2%.
Pelo Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace) da Fundação Getulio Vargas, o atual ciclo recessivo, que começou no segundo trimestre de 2014, completou em dezembro de 2016 onze trimestres e já se tornou o mais longo em 35 anos. Ele alcançou a mesma duração da crise do governo Collor(1989-1992), com magnitude superior à crise da moratória da dívida (1981-1983), quando a economia encolheu 8,5%.
Para o chefe de análise da Upside Investor, Pedro Galdi, o resultado do PIB brasileiro já estava precificado pelo mercado. Segundo ele, a agenda intensa de eventos econômicos está deixando os investidores avessos ao risco, trazendo volatilidade ao pregão. O mercado começa agora a precificar a alta de juros nos EUA, que deve ser anunciada pelo Fed na próxima semana, diz ele.
- A semana é propensa à realização de lucros. A agenda intensa de eventos econômicos com números do mercado de trabalho, fim dos balanços de empresas de 2016 e a expectativa da reunião do Federal Reserve nos EUA traz volatilidade ao pregão brasileiro, que já havia subido muito recentemente. O resultado ruim do PIB já estava na conta, é espelho retrovisor - diz Galdi.
Entre as ações brasileiras, o setor financeiro foi o que mais pesou no pregão. O Itaú Unibanco, ação mais importante do Ibovespa, teve queda de 1,67%, negociada a R$ 39,44, enquanto as preferenciais do Bradesco caíram 1,34% a R$ 33,01. A alta das ações preferenciais da Petrobras evitou uma queda maior. os papéis preferenciais da petrolífera subiram 0,52% a R4 15,19. Já as ações preferenciais da Vale também tiveram alta de 0,20% a R$ 29,45.
No exterior, as principais Bolsas fecharam em queda, puxadas para baixo pelo desempenho das ações das empresas farmacêuticas depois de a Casa Branca anunciar detalhes do seu plano para substituir o Obamacare e de o presidente Donald Trump, ter afirmado em mensagem no Twitter que vai tornar os medicamentos mais baratos.
O índice de referência europeu, o Euro Stoxx 50, caiu 0,07%, enquanto a Bolsa de Londres teve baixa de 0,15% . Em Paris, a queda foi de 0,35%. Em Wall Street, o Dow Jones recuou 0,14%, enquanto o S&P 500 caiu 0,29% e a Nasdaq teve perda de 0,26%.



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