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Dólar fecha em leve alta com risco geopolítico após ataques dos EUA ao Irã

Estadão

O dólar fechou em leve alta frente ao real nesta terça-feira, 26, voltando ao nível de R$ 5,02. O aumento da percepção de risco geopolítico após ataques dos Estados Unidos ao Irã castigou as divisas emergentes, que devolveram os ganhos do pregão da segunda-feira, quando houve certo otimismo com o avanço nas negociações de paz e a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz.

Embora seja, de certa forma, protegida pela escalada do petróleo, via melhora dos termos de troca, a moeda brasileira já não consegue sair ilesa de momentos de piora da aversão ao risco. Operadores observam que o aumento dos ruídos políticos locais, à medida que a corrida presidencial se aproxima, também traz mais volatilidade à taxa de câmbio.

Após oscilar entre a mínima de R$ 5,0041 e a máxima de R$ 5,0380, o dólar à vista encerrou a sessão em ascensão de 0,17%, cotado a R$ 5,0274.

Foi o sexto pregão seguido de fechamento acima do nível de R$ 5,00. A moeda norte-americana acumula ganhos de 1,51% frente ao real em maio, após desvalorização de 4,36% em abril. No ano, as perdas são de 8,41%. Depois do giro bem fraco da segunda, em razão do feriado de Memorial Day nos EUA, houve certa recuperação da liquidez.

"Após a correção observada nas últimas semanas, o real ainda luta para recuperar totalmente seu ímpeto anterior, em um ambiente de maior seletividade em relação às moedas de mercados emergentes e maior sensibilidade ao ruído doméstico", afirma o analista Pedro Oliveira, do BTG Pactual.

As cotações do petróleo voltaram a se aproximar do nível de US$ 100, com o contrato do Brent para agosto, referência de preços para a Petrobras, encerrando o pregão em avanço de 3,58%, a US$ 99,58 o barril.

Na segunda à noite, os EUA informaram que realizaram ataques de "autodefesa" contra alvos no sul do Irã, incluindo plataformas de lançamento de mísseis e embarcações com capacidade de espalhar minas. Pela manhã, autoridades iranianas disseram ter derrubado um drone americano e acusaram os EUA de violarem o cessar-fogo em vigor. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse estar pronto para firmar um "acordo digno" com os EUA.

Segundo Oliveira, do BTG Pactual, embora a perspectiva de médio prazo para a divisa local "permaneça construtiva", dada a posição "relativamente mais forte do Brasil" em meio ao choque dos preços de energia e o diferencial de juros elevado, o cenário de curto prazo parece "menos favorável".

"A combinação de alta volatilidade e desempenho recente mais irregular reduz a atratividade ajustada ao risco do real no curtíssimo prazo", afirma o analista do BTG Pactual. "O ponto-chave é que a margem de desempenho diminuiu, e um aumento adicional agora depende mais de uma melhora adicional no cenário doméstico."

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY acumula alta de pouco mais de 1% no mês. Investidores aguardam a divulgação, nesta quinta-feira, 28, da segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no primeiro trimestre e, sobretudo, do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) de abril, para calibrar as apostas para a trajetória da taxa de juros nos EUA.

À tarde, em entrevista ao Nikkei Asia, o presidente da distrital de Minneapolis, Neel Kashkari, disse que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode "iniciar uma série" de aumentos nas taxas de juros em resposta ao choque inflacionário provocado pela guerra no Oriente Médio. Kashkari é membro votante do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês).

"Investidores anseiam por uma solução em Ormuz, que reduziria o quadro de aversão ao risco e as chances do Fed de subir os juros este ano", afirma o sócio-diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior.

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