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Dólar fecha em leve alta após dados de emprego nos EUA e comentários do Fed

Por Folha de São Paulo

18/04/2024 17h30 — em
Economia



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Apesar de ter começado o dia em leve queda, o dólar virou e passou a registrar alta ante o real após novos dados de seguro-desemprego e comentários mais conservadores de membros Fed (Federal Reserve, o banco central americano) que esfriaram ainda mais as apostas sobre um possível corte de juros nos EUA.

No fim do pregão, a divisa desacelerou os ganhos e terminou o dia com valorização tímida de 0,15%, cotada a R$ 5,250.

Pela manhã, o Departamento do Trabalho americano informou que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego ficaram inalterados em 212 mil na semana encerrada em 13 de abril. A previsão de economistas consultados pela Reuters era de 215 mil, e os novos números foram lidos como um sinal e manutenção de força da economia americana.

Além disso, o presidente do Fed de Nova York, John Williams, disse durante a tarde que a situação sólida da economia dos Estados Unidos significa que não há motivos urgentes para reduzir os juros no momento.

"Definitivamente, não sinto urgência em reduzir os juros", dada a atual solidez da economia, disse Williams na Cúpula de Economia Mundial da Semafor, em Washington.

Após a fala do diretor, o mercado virou: o dólar engatou alta, e o Ibovespa, que havia começado o dia subindo, passou a cair.

O pessimismo foi endossado pelo presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, que afirmou que a inflação será controlada num ritmo mais lento do que muitos esperavam. Ele disse, ainda, que não está com pressa de atingir o objetivo.

Após marcar a cotação mínima de R$ 5,2288 às 9h01, o dólar à vista atingiu a máxima de R$ 5,28 reais às 14h45.

Com as cotações neste patamar, porém, alguns participantes do mercado aproveitaram para vender moeda no mercado à vista ou reduzir posições compradas (no sentido de alta do dólar) no mercado futuro, realizando parte dos lucros recentes. Isso pesou sobre as cotações, que ainda assim se manteve no território positivo até o fim da sessão.

À tarde, o presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, afirmou que há nova incerteza no cenário externo e que a autoridade monetária ainda não tem visibilidade do que vai acontecer à frente.

Falando a jornalistas ao lado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no fechamento do encontro do G20 em Washington (EUA), Campos Neto disse que vê três caminhos possíveis hoje: uma volta à normalidade, um prolongamento da incerteza, e a continuidade desse cenário que acabe gerando uma reprecificação mais forte.

Logo após o discurso de Campos Neto, os juros futuros de curto prazo tiveram um sobressalto, mas estabilizaram-se e registravam queda no fim da tarde.

Na Bolsa brasileira, o Ibovespa terminou o dia com oscilação positiva de 0,02%, aos 124.196 pontos.

"No mercado interno há temores de que a taxa terminal deste ciclo de queda da Selic seja maior do que a projetada até algumas semanas atrás, o que é algo ruim para os ativos de risco. Os treasuries [títulos do Tesouro] americanos estão em forte alta nos últimos dias, e os nossos juros futuros vêm acompanhando esta alta", afirma Elcio Cardozo, sócio da Matriz Capital

Sobre a economia americana, alguns participantes avaliaram que os dados de emprego desta quinta não pesam muito no sentimento do mercado porque a resiliência da atividade e a provável necessidade de juros altos por mais tempo já foram precificadas nos últimos dias.

Endossa essa tese o fato de que o dólar seguiu oscilando próximo da estabilidade logo após a divulgação dos novos números. A virada só veio após o pronunciamento de Williams.

Colaborando para a recuperação do sentimento global no início do dia, não há sinais claros, pelo menos até o momento, de uma retaliação direta de Israel contra o Irã após ataques do último final de semana, em meio a pressão global para que não haja escalada desastrosa do conflito no Oriente Médio.

"No médio prazo, com a dissipação de alguns choques, como uma redução do impasse no Oriente Médio, a maior clareza da economia dos EUA e entendimento melhor sobre a evolução das contas públicas, a tendência é que o dólar fique em um patamar um pouco mais baixo", avaliou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research

Ele sublinhou que a recente alta do dólar pode ser uma preocupação para o Banco Central do Brasil.

"Se o câmbio continuar nesse patamar pelas próximos semanas e observarmos alguma pressão na parte das commodities, no médio prazo, a soma desses dois fatores pode se traduzir em inflação aqui no Brasil ou pode impedir um ritmo de queda mais acelerado dos preços", disse Sung.

"Esse movimento poderia diminuir a flexibilização da taxa de juros pelo Banco Central do Brasil."


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O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

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