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Dólar fecha em alta a R$ 3,12; na semana, recuo foi de 0,9%

RIO e SÃO PAULO - Depois de passar a maior parte do dia em queda, o dólar comercial encerrou a sexta-feira com leve alta de 0,06% cotado a R$ 3,124. Na máxima do dia, a moeda americana foi negociada a R$ 3,140 e na mínima desceu até R$ 3,106. Na semana, a divisa encerrou com recuo de 0,91% frente ao real. No exterior, o dollar spot, índice que acompanha o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de moedas, estava em alta de 0,04%.

De acordo com Bernard Gonin, analista da Rio Gestão, o dólar acabou invertendo o sinal na reta final dos negócios após uma declaração à Bloomberg de um membro do Federal Reserve (o banco central americano), John Williams, de São Francisco, que disse que os juros nos EUA já deveriam ter subido. O mercado, que avalia que há chance de 20% de os juros subirem em março, acabou sendo pego de surpresa pela afirmação e os investidores passaram a comprar a moeda americana.

— Foi a inesperada declaração de um membro do Fed, de que os juros nos EUA já deveriam ter subido, que deixou o mercado mais apreensivo. Com isso, a ata do Fed, que deverá ser divulgada em breve, ganha mais importância já que opode trazer essa sinalização - afirma Gonin. O Federal Reserve manteve os juros entre 0,5% e 0,75% nos EUA esta semana.

O dólar operou em queda, desde a manhã, após a divulgação de dados do mercado de trabalho americano. Os Estados Unidos criaram 227 mil vagas em janeiro, número acima dos 170 mil esperados pelo mercado. A taxa de desemprego subiu de 4,7% para 4,8%. Os investidores esperavam que o desemprego ficasse estável em 4,7%. Também decepcionou o mercado o crescimento em ritmo mais lento do aumento dos salários. O salário médio por hora aumentou apenas 3 centavos de dólar, 0,1%, no mês passado. O crescimento em 12 meses do salário médio pago por hora desacelerou para 2,5%, frente aos 2,8% em dezembro. Na prática, isso tira um pouco de pressão sobre a inflação, o que pode pesar da decisão do Fed de postergar a elevação dos juros.

— O número de criação de vagas veio bem forte, mas o indicador de aumento de salários veio mais fraco. Isso tira pressão da inflação. Com a meta de inflação nos EUA é de 2% e ela está atualmente em 1,7%, o mercado entendeu que o Federal Reserve (Fed) pode postergar um pouco a elevação dos juros - explicou Gonin.

Uma elevação dos juros nos EUA fortalece o dólar em todo o mundo e também atrairá para os títulos americanos uma parte dos recursos destinada aos países emergentes, entre eles o Brasil.

Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 0,58% aos 64.953 pontos e volume negociado de R$ 8,5 bilhões. Na semana, entretanto, o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro, teve recuo de 1,63%. A queda forte das ações da Vale, nesta sexta, foi neutralizada pela alta dos bancos e da Petrobras, explica Ari Santos, gerente de mesa Bovespa da corretora H. Commcor.

— Os papéis da Vale caíram acompanhando uma queda no preço do minério de ferro no exterior, com a China voltando do feriado. Mas a alta dos bancos e da Petrobras fizeram o Ibovespa terminar no azul - disse Santos.

As ações preferenciais da Vale caíram 5,41% a R$ 29,02, enquanto as ordinárias encerraram o dia em baixa de 6,15% a R$ 30,65, a maior desvalorização do índice.

As ações preferenciais do Bradesco, que ontem caíram e puxaram o Ibovespa para o campo negativo depois de o banco ter divulgado um lucro menor em 2016, subiram 2,43% a R$ 31,96. A alta do Bradesco puxou também os papéís do Itaú, que tiveram ganho de 2,07% a R$ 38,30. Já as ações preferenciais da Petrobras subiram 3,02% a R$ 15,35.

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