SÃO PAULO - A expectativa em torno da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o acordo nuclear com o Irã pressionou os mercados nessa segunda. O dólar avançou em escala global e, no Brasil, a moeda fechou a R$ 3,553, ganho de 0,82% ante o real, maior valor em quase dois anos. O Ibovespa, principal referência da B3 (antiga BM&F Bovespa), perou em alta durante quase todo o pregão, mas terminou o dia com perda de 0,49%%, aos 82.714 pontos.
Esse é o maior valor de fechamento da moeda americana desde os R$ 3,588 de 2 de junho de 2016. O dólar, que atingiu a máxima de R$ 3,5580, já operava pressionado e ganhou força com o anúncio de que Trump irá, amanhã, às 15h (horário de Brasília), informar se manterá ou não o acordo nuclear dos Estados Unidos com o Irã. O prazo para essa decisão era até dia 12.
— O dólar e a Bolsa estavam em alta em escala global e a gente não tinha motivo para destoar disso. No entanto, no meio da tarde, Trump anunciou que fará o comunicado sobre o Irã amanhã e isso pegou o mercado de surpresa. Há uma busca por proteção — disse Cleber Alessie, operador da corretora H.Commcor.
O “dollar index”, que mede o comportamento da divisa frente a uma cesta de dez moedas, registrava alta de 0,23% próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil.
Além dos temores em relação ao Irã, os mercados globais continuam temerosos que o Federal Reserve (Fed, o bc americano) possa elevar mais os juros diante de sinais de atividade econômica mais forte e inflação. Atualmente a taxa está na faixa de 1,50% e 1,75% ao ano. Já foi feita uma elevação esse ano e a cresce a aposta de que serão feitas mais três - até o inicio do ano, prevalia a expectativa de apenas mais duas. Taxas elevadas têm potencial para atrair para a maior economia do mundo recursos hoje aplicados em outros mercados financeiros, como o brasileiro.
O Banco Central realizou nesta sessão mais um leilão de 8,9 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, para rolagem do vencimento de 1º de junho. Se mantiver e vender esse volume diário até o final do mês, o BC terá rolado integralmente os US$ 5,650 bilhões que vencem no mês que vem e terá colocado o equivalente a US$ 2,8 bilhões adicionais.
Os investidores repercutiram o , em campinas, na Bolsa. As ações da Triunfo caíram 15,15%, cotadas R$ 1,96, mas elas não fazem parte do Ibovespa, índice de referência da Bolsa brasileira. A empresa é uma das participantes do consórcio Aeroportos Brasil, que administra a concessão do aeroporto. A Infraero detém 49% das ações de Viracopos. As outras 51% são divididas entre a UTC Participações (45%), Triunfo Participações (45%) e Egis (10%).
Os papéis das companhias aéreas Gol e Azul recuaram, respectivamente, 5,53% e 1,43%, que também estão fora do Ibovespa. Luis Gustavo Pereira, estrategista chefe da Guide Investimentos, lembra que essas ações sofrem com a alta do preço do petróleo, o que acaba elevando um dos principais custos dessas empresas, que é o querosene de aviação. A Azul é a principal companhia aérea a operar em Viracopos.
Já entre as ações mais negociadas do Ibovespa, os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras fecharam em alta de 1,70%, cotados a R$ 22,65, e os ordinários (ONs, com direito a voto) avançaram 3,55%, a R$ 24,74. O ganho só não foi maior porque o petróleo perdeu força no final dos negócios, em movimento de proteção causado por Trump. O barril do tipo Brent subia 0,60%, cotado a US$ 75,32, próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil.
— O mercado ainda está bem frágil para os emergentes. As Bolsas subiram cedo, mas ainda é uma recuperação marginal depois da performance negativa da semana passada. Isso, no entanto, não parece sustentável — avaliou Pereira, da Guide.
Ainda entre os papéis de maior relevância no índice, as preferenciais do Itaú Unibanco fecharam com leve alta de 0,14%. As do Bradesco recuaram 0,90% e as ações do Banco do Brasil tiveram pequena desvalorização de 0,11%. O setor financeiro é o de maior peso na composição do Ibovespa.
A Eletrobras liderou as perdas do índice, com os investidores preocupados com o andamento da medida provisória (MP) que trata do processo de privatização da estatal. As ordinárias caíram 8,07% e as preferenciais, 9,14%.
No exterior, os índices americanos também reduziram os ganhos após o anúncio de Trump. O Dow Jones subiu 0,39% e o S&P 500, 0,35%. Os principais índices acionários operam em alta. O Dow Jones sobe 0,72% e o S&P 500 tem alta de 0,58%. O FTSE 100, de Londres, registrou valorização de 0,86%. Já o DAX, de Frankfurt, avançou 1%.


