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Dólar e Bolsa rondam estabilidade com falas de Galípolo e dados dos EUA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar ronda a estabilidade nesta terça-feira (25), com os investidores reagindo à fala do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, de que a instituição não deve perseguir o teto da meta de inflação (4,5%), mas o centro (3%).

Ao longo do pregão, os investidores também acompanham a votação da pauta-bomba sobre agentes de saúde no Senado. A probabilidade de o Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) cortar os juros em dezembro e a divulgação de dados econômicos dos Estados Unidos também seguem no radar.

Às 12h21, a moeda americana caía 0,04%, cotada a R$ 5,392, após ter registrado um ritmo maior de queda durante a manhã. A Bolsa, por sua vez, tinha alta tímida de 0,06%, a 155.377 pontos.

Após uma manhã em que a Bolsa registrou alta e dólar baixa em grande parte do tempo, os sinais se inverteram brevemente. Pouco tempo depois, a moeda americana e o Ibovespa passaram a rondar a estabilidade.

Nesta manhã, Galípolo afirmou que a instituição tem de perseguir a meta de inflação de 3% e não o limite de 4,5%, já que é aceita uma variação de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

"A meta não é a banda superior. A banda foi feita para que, dado que (a inflação) oferece flutuações... criou-se um 'buffer' para amortecer eventuais flutuações. Mas de maneira nenhuma a meta é de 4,5%", afirmou Galípolo durante audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado.

"Tenho que perseguir uma meta de inflação de 3%", reforçou o presidente do BC, que lamentou que, pelas projeções do boletim Focus, o BC não conseguirá cumprir esta meta de 3% durante todo o seu mandato.

Para Ian Lopes, especialista da Valor Investimentos, a fala de Galípolo reforça a fragilidade do sistema e que a meta de inflação não está sendo cumprida.

Na segunda, em evento da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), o presidente do BC havia afirmado que o BC não está satisfeito com o atual nível da inflação. "Não é papel do BC ser ombudsman da política fiscal. A bola que temos que ficar de olho é a inflação", disse.

Ele também afirmou que o regulador precisa de uma evolução constante e que bancos são instituições falíveis ao ser questionado sobre a liquidação do Banco Master. "Acontece nos EUA, na Suíça, acontece. O importante é aprendermos e inovarmos para não repetirmos problemas", afirmou.

Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, diz que o discurso do Galípolo reforçou a política atual da autarquia. "Os comentários demonstram desconforto com a dinâmica inflacionária e defendem a necessidade de um aperto monetário mais longo".

Ainda por aqui, está prevista para esta terça a votação do projeto de lei complementar que regulamenta a aposentadoria especial dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias. Segundo Alcolumbre, com a votação, o Senado "dará um passo decisivo para corrigir uma injustiça histórica".

A medida, considerada uma pauta-bomba, foi apelidada de "contrarreforma da Previdência" por integrantes do governo Lula, e técnicos disseram que ela teria um impacto estimado entre R$ 20 bilhões e R$ 200 bilhões nos próximos anos.

Em outubro, a Câmara aprovou uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que tinha objetivo parecido, efetivando vínculos temporários e afrouxando as regras de aposentadoria para esses agentes.

No cenário internacional, o foco é a divulgação de dados econômicos dos EUA pela manhã, com as novas edições das pesquisas do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla inglês) e de vendas no varejo. Os dados influenciam nas apostas de corte de juros do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) na reunião de 9 e 10 de dezembro.

O Departamento do Trabalho informou que o índice de preços ao produtor aumentou 0,3% em setembro, em linha com a previsão de economistas consultados pela Reuters. Nos 12 meses até setembro, o índice, um dos que mede a inflação do país, teve alta de 2,7%, depois de avançar pela mesma margem em agosto.

As vendas no varejo dos Estados Unidos aumentaram menos do que o esperado no mesmo mês, em 0,2%. Economistas consultados pela Reuters previam que as vendas subiriam 0,4%.

As vendas no varejo são um indicativo do consumo das famílias, e portanto, quando o índice sobe, sugere um maior fôlego na economia.

Diretores do Fed terão dificuldades para tomar uma decisão em dezembro. Por mais que a paralisação do governo federal dos EUA tenha se encerrado no começo do mês, dados importantes não foram coletados.

Na quinta, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que a economia norte-americana gerou 119 mil postos de trabalho em setembro, no relatório conhecido como "payroll". O órgão, entretanto, também informou que os dados de emprego de outubro e novembro serão publicados em 16 de dezembro, ou seja, após a reunião de política monetária do Fed de dezembro.

Para Leonel Mattos, da StoneX, o Federal Reserve não vai estar numa situação confortável na decisão de dezembro. "Não vai ter dado de inflação, índice de preços ao consumidor (CPI) ou payroll, antes do dia 10 de dezembro, então o Fed vai estar trabalhando com estatísticas oficiais referentes a meses anteriores".

Reduções nos juros dos EUA costumam ser uma boa notícia para os mercados globais —e o oposto também é verdadeiro. Como a economia norte-americana é vista como a mais sólida do mundo, os títulos do Tesouro, também chamados de "treasuries", são um investimento praticamente livre de risco.

Quando os juros estão altos, os rendimentos atrativos das treasuries levam operadores a tirar dinheiro de outros mercados. Quando eles caem, a estratégia de diversificação vira o norte, e investimentos alternativos ganham destaque.

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