SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar e a Bolsa recuavam na manhã desta terça-feira (15) após dados da inflação americana apresentarem um aumento em junho, e com as tensões comerciais e o impasse sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) também no radar.
Às 12h05, a moeda americana caía 0,51%, a R$ 5,557. No mesmo horário, a Bolsa brasileira apresentava queda, com uma desvalorização de 0,28%, a 134.908 pontos.
Começando pela ponta internacional, dados do Departamento do Trabalho americano desta terça mostraram que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% no mês passado, depois de ter avançado 0,1% em maio. Esse foi o maior crescimento desde janeiro.
Nos 12 meses até junho, o índice tem alta de 2,7%, depois de subir 2,4% em maio. Economistas ouvidos pela Reuters previam altas de 0,3% na base mensal e de 2,6% na anual.
Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice de preços ao consumidor aumentou 0,2% em junho, depois de ter subido 0,1% no mês anterior. Nos 12 meses até junho, o núcleo do índice teve alta de 2,9%, depois de subir 2,8% por três meses consecutivos.
Segundo Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o núcleo da inflação americana continua surpreendendo. "Mostra um crescimento abaixo do que se esperava, que, em tese, sugere que o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) pode cortar juros mais cedo do que se esperava", diz.
Para o analista, com juros mais baixos, os rendimentos dos títulos americanos também caem, o que tende a favorecer o Brasil e o real. "Diminui a demanda, dificulta a atração de investimentos externos para os Estados Unidos e enfraquece o dólar globalmente".
A semana até aqui tem sido marcada por ameaças tarifárias de Donald Trump contra parceiros comerciais.
No começo da tarde da última segunda, o presidente dos Estados Unidos deu um ultimato a Vladimir Putin para acertar uma trégua com a Ucrânia.
O republicano falou em impor "tarifas severas", especificando que seriam "secundárias". Ou seja, atingiriam aqueles que fazem negócios com os russos.
"Tarifas secundárias são muito poderosas. Espero que dê certo", disse Trump, citando taxas de até 100% menos que os 500% propostos em um projeto que tramita no Congresso americano.
No final de semana, Trump anunciou uma nova leva de tarifas para parceiros comerciais dos Estados Unidos desta vez, União Europeia e México.
Em cartas publicadas no Truth Social no sábado, o presidente se dirigiu aos líderes de ambas as regiões para apresentar as novas sobretaxas de 30%, que passarão a valer a partir de 1º de agosto.
Em relação ao México, Trump citou a droga fentanil como justificativa, enquanto aos países da União Europeia, justificou as sobretaxas pela ótica da balança comercial. Em 2024, o déficit de mercadorias dos EUA com os europeus chegou a US$ 235 bilhões, segundo dados do U.S. Census Bureau.
A nova leva de tarifas segue a esteira da sobretaxa de 50% a produtos brasileiros, anunciada na semana passada.
As importações hoje são sobretaxadas em 10%, tarifa anunciada por Trump em 2 de abril. Ou seja, além das tarifas já cobradas, há uma cobrança adicional de 10%. Essa alíquota será substituída pela de 50% a partir de 1º de agosto.
A sobretaxa não é adicionada a produtos que já sofrem tarifas setoriais, como aço e alumínio, sobre os quais há tarifas de 50%.
Na última segunda, o presidente Lula (PT) publicou o decreto que regulamenta a chamada Lei da Reciprocidade, instrumento que permitirá ao Brasil adotar medidas em resposta à sobretaxa de 50% anunciada pelo governo Trump para produtos brasileiros.
O decreto estabelece os procedimentos que devem ser adotados para a aplicação da lei aprovada pelo Congresso em abril, que impõe a reciprocidade de regras ambientais e comerciais nas relações do Brasil com outros países. A proposta teve tramitação acelerada na Câmara e no Senado, com apoio de ruralistas e governistas.
Na ponta doméstica, as atenções nesta terça também estão voltadas para o impasse em torno da tentativa do governo de elevar a cobrança do IOF. O STF (Supremo Tribunal Federal) programou audiência de conciliação para esta terça entre Executivo e Legislativo.
As negociações para uma conciliação sobre os decretos do IOF tiveram início durante o 13º Fórum de Lisboa, o Gilmarpalooza.
Entre as possibilidades conversadas já em Portugal estão uma proposta de alíquota menor e a desistência da cobrança sobre o risco sacado e sobre aportes maiores em planos de previdência na modalidade VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).

