SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar abriu esta quinta-feira (19) em queda contra o real, alinhando-se a movimento internacional de recuperação de moedas de maior risco depois de uma forte onda de vendas na véspera, quando temores sobre inflação, aperto monetário e possível desaceleração econômica aumentaram a busca por segurança.
Às 10h55 (de Brasília), o dólar comercial recuava 1,46%, a R$ 4,9110 na venda. Na mínima do dia, a moeda chegou a encostar em R$ 4,9080.
Neste pregão, o Banco Central fará leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de julho de 2022.
As perdas acompanhavam a queda de cerca de 0,8% do índice do dólar no exterior, no que alguns participantes do mercado avaliavam como um ajuste técnico depois de a moeda ter avançado 0,55% contra pares de países ricos na véspera, encerrando uma série de três dias de baixa. O enfraquecimento do dólar também refletia uma queda nos rendimentos dos títulos soberanos dos EUA.
Divisas de países emergentes ou sensíveis às commodities aproveitavam a deixa e avançavam contra o dólar nesta manhã, recuperando-se depois de uma sessão difícil na véspera. Peso mexicano, peso chileno, rand sul-africano e dólar australiano, moedas cujo movimento o real tende a acompanhar, ganhavam entre 0,7% e 1,2% no dia.
Já a Bolsa de Valores brasileira iniciou os negócios em direção oposta ao dos pares globais e opera no campo positivo. O Ibovespa avançava 0,56%, aos 106.845 pontos, após a forte queda de 2,34% na véspera.
Entre os destaques positivos, as ações da Eletrobras avançavam cerca de 1,8%, após o TCU (Tribunal de Contas da União) ter aprovado na véspera o processo de privatização da estatal.
Os ganhos de eficiência esperados com a mudança de controle devem atrair o interesse de grandes fundos.
Papéis de grandes exportadoras de commodities metálicas também se destacam entre as maiores altas do dia na Bolsa brasileira.
As ações da CSN Mineração avançavam 6,6%, enquanto as da CSN subiam 5%. Já os papéis da Usiminas tinham valorização de 4,3%, e os da Vale, de 2,24%.
Nas Bolsas globais, o mau humor da sessão passada volta a predominar nesta quinta. Nos Estados Unidos, o S&P 500 recuava 0,66%, o Dow Jones cedia 1,46% e o Nasdaq operava em baixa de 0,25%.
Apesar do ajuste nos mercados de câmbio, especialistas alertavam para a manutenção do cenário cauteloso, que na véspera golpeou ativos arriscados de todo o mundo.
"A aversão ao risco ganha força diante de preocupações com o crescimento global", disse o departamento de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco em relatório. "Pesam sobre a avaliação de riscos as incertezas com os desdobramentos da guerra na Ucrânia, com a política de combate à Covid na China e com as persistentes pressões inflacionárias e seus impactos sobre a condução da política monetária no mundo."
Reflexo da maior cautela dos investidores nos últimos tempos, o saldo de tesouraria das administradoras de fundos internacionais subiu ao seu valor mais alto desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, segundo pesquisa do Bank of America.

