SÃO PAULO — O dólar fechou em queda nesta quarta-feira pelo terceiro dia seguido, cotado a R$ 3,626, em baixa de 0,52%. A moeda americana abriu em alta, mas inverteu o sinal no começo da tarde, se firmando no campo negativo após a divulgação da ata do último encontro de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. No documento, a maioria dos membros da autoridade monetária avaliou que “provavelmente em breve” seria apropriado uma alta adicional nos juros.
— A maioria dos participantes julgou que, se as informações recebidas confirmarem amplamente a perspectiva econômica atual, provavelmente em breve será apropriado para o comitê dar mais um passo para remover a acomodação monetária — diz a ata.
— Está muito difícil estabelecer uma relação de causa e efeito no mercado de câmbio. Há muita especulação. No gráfico do dólar, temos uma amplitude muito grande. É absolutamente irregular o gráfico, mais do que a média — explica Fernando Bergallo, diretor da FB Capital. — Depois da divulgação da ata do Fed, temos uma definição. O que tem dado tração ao mercado é a recuperação da economia norte-americana e as consequências para a remuneração dos títulos de lá — diz Bergallo.
Pedro Afonso, economista de mercado, reforça que a pressão sobre o real é motivada pela possibilidade de o Fed aumentar os juros, atualmente na faixa entre 1,50% e 1,75%. Uma nova elevação motivaria uma fuga de capitais de países emergentes, como Brasil, rumo à maior economia do mundo.
— Estamos em um dia de muitas apostas. Temos uma certa cautela com a tensão na Turquia, mas isso não é novidade. O que conduz o mercado hoje é, sobretudo, a expectativa com a divulgação da ata do Fed — avalia o analista Cléber Alessie, da H.Comcorr. — Até a divulgação do documento, deve ficar esse “vai e vem”, com um possível viés de alta, com o mercado tentando se proteger — acrescenta Alessie.
O mercado de ações brasileiro também opera no negativo. Às 16h28, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, caía 1,89%, aos 81.168,87 pontos. Um dos destaques de baixa é a Eletrobras. No começo da tarde, as ações preferenciais da empresa, sem direito a voto, tinham baixa de mais de 8% e as ON, ordinárias, com direito a voto, recuavam mais de 11%.
Na noite desta terça-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a medida provisória 814, que trata da privatização da Eletrobras, não será votada pelo Congresso Nacional. Com isso, mudanças na companhia serão analisadas por meio de um projeto de lei, a ser enviado pelo governo federal.
As ações da Petrobras registram perdas superiores a 2% e contribuem para a baixa do Ibovespa. A queda acontece na esteira da desvalorização dos preços do petróleo no mercado internacional e em meio à tensão no país sobre a alta dos combustíveis.



Aviso